BBC Brasil
20/02/2008 - 20h39

Um terço dos britânicos têm sinais de vício em checar mensagens, diz estudo

da BBC Brasil

Um estudo da Universidade de Northampton, no Reino Unido, sugere que muitos britânicos estão ficando viciados em tecnologia. A professora Nada Kakabadse conduziu um pesquisa de pequena escala com 360 pessoas e observou que cerca de um terço dos entrevistados (33%) demonstrou sinais de vício em dispositivos como telefones celulares, Blackberries e outros aparelhos em que podem verificar suas mensagens com freqüência.

Os pesquisadores chegaram a observar casos de pessoas que acordavam várias vezes durante a noite para checar e-mails e mensagens de texto.

"Você ficaria surpreso com o número de pessoas que mantém seus PDAs e Blackberries próximos de suas camas", diz Kakabadse. "Os que são viciados se levantam duas ou três vezes durante a noite para checar as mensagens."

Relacionamentos

Segundo a professora, as pessoas podem ficar viciadas em praticamente tudo. "Somos criaturas de hábitos e podemos nos viciar em coisas bem diferentes", afirma. "A tecnologia ficou muito mais interessante nos últimos dez anos, com a disseminação da internet", acrescenta a pesquisadora. "É muito mais simples e muito mais portátil e, com isso, mais acessível."

Mas o vício em tecnologia também pode levar a problemas de relacionamento, principalmente quando o viciado se afasta da família.

O estudo também aponta outras conseqüências: o viciado sofre de ansiedade e outras doenças, de acordo com Kakabadse. A pesquisadora afirma que, nos primeiros estágios do vício em tecnologia, as pessoas geralmente são bem produtivas no trabalho, respondendo a e-mails e mensagens. Mas, com o tempo, as conseqüências ficam mais graves.

"Algumas pessoas ficam muito ansiosas quando estão longe de seus celulares e outros aparelhos", diz. "Elas podem também ter problemas no trabalho porque passam cada vez mais tempo checando mensagens."

Para Kakabadse, é difícil detectar o vício em tecnologia no começo. "E, quando podemos detectar, geralmente já é tarde demais", afirma.

O estudo sugere que os empregadores deveriam treinar seus funcionários para o uso seguro das tecnologias fornecidas. Depois de analisar cada caso, Nada Kakabadse pretende estudar o quanto o problema está disseminado no Reino Unido.

 

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