BBC Brasil
25/02/2008 - 08h33

Eleição de Raúl Castro afasta esperança de renovação, diz "NYT"

da BBC Brasil

A eleição de Raúl Castro, o irmão mais novo de Fidel, para a Presidência de Cuba, "afasta as esperanças na ilha comunista de que uma geração mais jovem assuma o poder", segundo a edição desta segunda-feira do jornal americano "The New York Times".

"Em suas primeiras palavras como presidente, Castro deixou claro que não vai fazer mudanças radicais e prometeu consultar seu irmão em todos os assuntos importantes."

Mas para o "The New York Times", a eleição, pela Assembléia Nacional, marca uma mudança na história cubana. "Pela primeira vez desde que Fidel Castro assumiu o poder em 1959 o governo está nas mãos de um líder diferente, um oficial militar pragmático a quem faltam o carisma e ego de Fidel. Raúl Castro tem a reputação de construir o consenso, um homem que ouve atentamente seus assessores, delega autoridade e mantém seus subordinados responsáveis por seus atos."

A reportagem comenta que Raúl Castro disse que o governo precisa de algumas mudanças para sobreviver à nova era, mas alerta que "outras ações da Assembléia garantiram que o poder continue nas mãos da velha guarda cubana" - em alusão a José Ramón Machado Ventura, de 76 anos, eleito um dos vice-presidentes e que tem reputação de comunista linha-dura fiel aos irmãos Castro.

O NYT afirma ainda que, segundo analistas, em certos aspectos, quem está à frente da Presidência de Cuba não faz a menor diferença. "Fidel Castro continua sendo o chefe do Partido Comunista, por lei a maior autoridade" em Cuba.

De Castro a Castro

Na Espanha, o jornal "El País" traz um editorial com título "De Castro a Castro", afirmando que "tudo hoje é diferente em Cuba apesar de muito pouco ter mudado".

Para o El País, apesar da renúncia, Fidel continuará a ter papel ativo na tomada de decisões no país.

"Raúl fará, sem dúvida, mais do que dirigir o país sozinho no dia-a-dia mas Fidel continuará acima, submetendo-se a terapias de reabilitação, velando pelo que considera o verdadeiro curso da revolução; e sempre com a mão no computador, transformado no colunista - do diário oficial Granma - mais famoso do planeta."

O editorial afirma que, com Raúl no governo e com Fidel ainda vivo, será difícil imaginar uma Cuba democrática, mas ressalta que "o futuro se constrói sobre o presente".

"Nos Estados Unidos também haverá um novo presidente em janeiro de 2009, alheio às obsessões exteriores de George W. Bush, que poderá fazer uma revisão do meio século de fracasso do cerco norte-americano. Por isso, ainda que o ocorrido confirme mais do que anuncie, para Cuba, 24 de Fevereiro de 2008 pode ser um novo começo", conclui o editorial do El País.

"Camarada Fidel"

No Reino Unido, o jornal The Guardian afirma que, com a eleição de Raúl, Fidel "permanece o reverenciado, mas não mais onipotente, oráculo da revolução".

O jornal ainda afirma que a nomeação de Raúl como sucessor era esperada, mas não a promoção de Ventura como um dos vice-presidentes.

O Guardian ainda comenta que não está claro qual será a influência de Fidel sobre o novo governo já que, apesar de manter a liderança do Partido Comunista e continuar a escrever os editoriais do Granma, ele mudou seu título de "comandante-chefe para camarada Fidel".

O jornal ainda lembra que Raúl parece defender algumas mudanças, mas ainda não teve a chance de colocá-las em prática.

"Acredita-se que o presidente, que evita exposição pública, seja favorável à liberalização econômica no estilo chinês, para melhorar as condições de vida sem perder o controle político."

Mas o Guardian afirma que, desde que assumiu o governo interinamente, Raúl tentou realizar poucas reformas, "possivelmente porque puristas ideológicos do governo pisaram nos freios, argumentando que o apoio da Venezuela permitiria um retorno ao comunismo essencial".

Comentários dos leitores
irineu ermel (3) 30/05/2008 16h03
irineu ermel (3) 30/05/2008 16h03
NATAL / RN
Eu nao quero ser parceiro de nenhum país comunista, e acho que o governo deveria ter mais responsabilidade com os recursos do País, e nao ficar fazendo caridade com o dinheiro que nao lhes pertence. sem opinião
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Antonio Carlos Bressan (124) 25/02/2008 17h04
Antonio Carlos Bressan (124) 25/02/2008 17h04
NITEROI / RJ
Depois de 50 anos, o mundo todo viu mais uma "encenação" eleitoral ridícula em Cuba, com o povo sofrido continuando a viver de forma passiva, como "gado", na grande fazenda particular da "famiglia" Castro!
Nem à beira da morte, nestes 19 meses, Fidel demonstrou um pouco de humildade e menos "arrogância" - comum aos ditadores que se acham "deus" do povo - aproveitando para convocar eleições diretas e democráticas para o país!
Se o fizesse, pelo menos ficaria na história como um revolucionário que se tornou ditador, mas que antes de sua morte, se arrependeu daqueles anos de ausência de liberdades e de democracia, impingida por ele ao seu próprio povo trabalhador e honesto!
Para um ditador, era querer demais também, não?
61 opiniões
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Igor Mendonça (2) 25/02/2008 12h45
Igor Mendonça (2) 25/02/2008 12h45
BELO HORIZONTE / MG
Acho importante salientar que diferente do regime socialista, o capitalismo não tem tratados ou teorias defensoras para guiá-lo. Independete do modo de produção, acho que conquista de direitos vem com o tempo, através de reformas e/ou revoluções. Acho que dizer que graças ao Patrioct Act o "mundo capitalista" é menos livre cai num grande equívoco (vide a Internet). As reformas das previdências sociais vem de uma grande verdade na natureza: os recursos são escassos, e saber administrá-los está além da capacidade de uns poucos técnicos de alguns governos. Os governos estão sem dinheiro para bancar o envehecimento mundial, e não há corrupção ou má administração que supere esta cifra. Resta ao governo regular para evitar abusos, e se preocupar com questões mais importantes: educação e democracia, por exemplo, conceitos extremamente imaturos ainda nas sociedades atuais. Mas isso foge muito ao assunto "Raul Castro no poder". Desculpem-me. 5 opiniões
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