Ataque da Colômbia foi "legítima defesa", diz jornal dos EUA
da BBC
Um dos principais jornais dos Estados Unidos, o "Wall Street Journal" defende em editorial nesta terça-feira a ação militar colombiana no Equador que resultou na morte de um dos principais líderes da guerrilha Farc (Forças Armadas revolucionárias da Colômbia), o comandante Raúl Reyes, e foi o pivô de uma grave crise diplomática entre a Colômbia e seus vizinhos Equador e Venezuela.
Segundo o jornal, "a ação chocou os terroristas (como o jornal se refere aos guerrilheiros das Farc) porque ocorreu no Equador. A guerrilha estava acostumada a operar dentro da Colômbia para depois escapar da perseguição dos militares colombianos no refúgio seguro do Equador e da Venezuela".
"Dessa vez os militares colombianos resolveram ir em frente, por razões legítimas de autodefesa", diz o jornal. "Duvidamos que os Estados Unidos teriam parado suas tropas na fronteira, se terroristas tivessem bombardeado alvos no Texas de algum ponto no México", diz o jornal.
"Mas o que realmente deve ter irritado Chávez foi a captura do laptop de Reyes", diz o jornal americano. O laptop "revela segredos de Chavez", chamado pelo jornal de "valentão venezuelano".
Citando declarações do chefe de polícia da Colômbia, general Oscar Naranjo, o jornal diz que "o laptop mostrou que a Venezuela teria pago US$ 300 milhões às Farc em troca da recente libertação de seis reféns".
"Insulto"
Na Espanha, o "El País" afirma em editorial que "Chávez quer capitalizar a equivocada operação colombiana contra as Farc no Equador".
"Mais uma vez o exagero veio do líder venezuelano, que insultou de modo chulo seu homólogo colombiano e usou linguagem bélica inadmissível em quem não é parte prejudicada. O afeto de Chávez pelas Farc --para quem pede status de Exército combatente-- arrasa a decência mínima que se exige de um chefe de Estado", afirma o "El País".
Na França, o jornal "Le Monde" diz que "pela primeira vez na história, as Farc foram ferida no coração".
O "Monde" ainda pergunta se, com a morte de Reyes, as Farc vão adotar uma linha dura, militarista, ou aceitar a negociação política.
"De imediato, ela (a morte de Reyes), não pode fazer nada, a não ser complicar a comunicação com as Farc. Será que Ingrid Betancourt (refém das Farc), que parece estar à beira da morte, e seus companheiros de infortúnio poderão suportar muito mais tempo nessa situação?"
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