Estatísticas indicam redução de mortes de civis no Iraque
RODRIGO DURÃO COELHO
da BBC Brasil, no Cairo
Mesmo sem consenso numérico, estatísticas sobre o número de civis iraquianos mortos desde a invasão americana coincidem em apontar uma diminuição nas fatalidade de não-combatentes desde meados de 2007, quando os militares dos Estados Unidos intensificaram o patrulhamento de Bagdá.
A organização não-governamental Iraq Body Count (IBC) calcula que o mês de janeiro de 2008 registrou 767 mortes, o número mais baixo desde dezembro de 2003.
Os militares americanos não têm dados completos sobre o número de civis mortos desde o início da invasão, em 2003.
Mas o Departamento de Defesa americano afirma que menos de 500 civis foram assassinados no Iraque em janeiro deste ano, e que os números continuam caindo desde a metade de 2007.
Além do aumento dos soldados americanos, um motivo apontado pela diminuição da violência foi que, em agosto do ano passado, o clérigo Moqtada Al Sadr ordenou que a principal milícia xiita iraquiana, o Exército de Mehdi respeitasse um cessar-fogo com as forças americanas e iraquianas.
Conflito sectário
Grande parte das mortes de civis no Iraque teve origem no conflito sectário entre sunitas e xiitas que se seguiu à invasão americana de 2003.
Durante o regime de Saddam Hussein, a minoria sunita tinha o controle político e econômico do país. Com a queda de seu governo, a maioria xiita passou a reivindicar mais poder.
A violência entre as duas etnias se acentuou após o ataque ao santuário xiita da cidade de Samarra, em fevereiro de 2006.
Muitos dos assassinatos envolvem seqüestros e tortura. Embora a maioria das vítimas seja homens, o número de mulheres e crianças mortos também é significativo.
Os conflitos levaram a um aumento do número refugiados internos e externos. A agência de refugiados da ONU calcula que 2007 foi o ano em que mais pessoas foram obrigadas a deixar suas casas no Iraque por causa do conflito sectário.
A organização calcula que existam cerca de 2,4 milhões de refugiados internos no país. Outros 2 milhões de iraquianos permanecem em refúgio no exterior, principalmente em países próximos. como Síria, Jordânia, Egito e os países do golfo Pérsico.
Disparidade
Apesar de coincidir em apontar uma tendência para o número de civis mortos no Iraque, as estatísticas variam ao apresentar uma estimativa numérica. O governo iraquiano tampouco apresenta dados precisos.
O IBC afirma que entre 82.240 e 89.751 civis morreram desde março de 2003.
Já um estudo publicado na revista médica britânica "The Lancet" calculou que apenas entre 2003 e 2006 morreram 655 mil civis iraquianos.
Outras fontes, como o Brooking Institute, com sede nos Estados Unidos, e o Ministério do Interior do Iraque, também apresentam números conflitantes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou em janeiro que o número de civis mortos violentamente desde o início da invasão deve oscilar entre 104 mil e 223 mil.
Diferenças de metodologia empregadas podem explicar em parte a diferença de números. Enquanto o IBC emprega pelo menos duas fontes para confirmar cada morte, o estudo da Lancet usou um sistema de projeção tendo por base entrevistas realizadas em todo o país.
Entretanto, o IBC afirma que a realidade iraquiana deve ser bem mais violenta.
"Confirmamos meticulosamente cada morte levantando os registros de imprensa, polícia, necrotérios, hospitais. Mas o número de mortes não-relatadas é mais alto", estima John Sloboda, porta-voz da organização. "Quão mais alto, ninguém pode dizer ao certo."
Os Estados Unidos afirmam que pouco menos de 4.000 de seus militares morreram no Iraque desde o início da invasão
No mesmo período, o governo iraquiano afirma que morreram cerca de 1,2 mil agentes de segurança do pais, entre soldados e policiais.
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