Novo primeiro-ministro do Paquistão diz que libertará juízes
da BBC
O novo Parlamento do Paquistão aprovou nesta segunda-feira (24) a indicação de Yousuf Raza Gillani, do Partido do Povo do Paquistão (PPP), para o cargo de primeiro-ministro.
Minutos depois de eleito, Gillani anunciou que ordenará a libertação de todos os juízes que foram detidos durante o regime de emergência instaurado pelo presidente Pervez Musharraf.
Gillani havia sido indicado no fim de semana pelo PPP, partido da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto (assassinada em dezembro), para chefiar o novo governo de coalizão do Paquistão. A expectativa é de que o novo governo tente reduzir o poder de Musharraf no país.
Em seu discurso após ser eleito, além de prometer a "libertação imediata de todos os juízes presos", Gillani também disse que buscará uma resolução pedindo a investigação pela ONU (Organização das Nações Unidas) do assassinato de Benazir Bhutto.
"Quero pedir à Assembléia Nacional que aprove uma resolução, que o incidente ocorrido no dia 27 de dezembro, em que Benazir Bhutto foi morta, seja investigado pela Organização das Nações Unidas", afirmou.
Gillani estava concorrendo ao cargo de primeiro-ministro com Chaudhry Pervez Elahi, aliado de Musharraf, e venceu por 264 votos a 42. Esta é a primeira vez em 12 anos que o PPP lidera o governo do Paquistão.
Detidos
Cerca de 60 dos mais importantes membros do Judiciário paquistanês, incluindo o juiz Iftikhar Chaudhry, da Suprema Corte do país, foram retirados de seus cargos pelo presidente Pervez Musharraf em novembro.
Pouco depois, quando Musharraf decretou o estado de emergência no Paquistão, os juízes atingidos pela medida foram presos.
Na época, Musharraf demitiu os juízes porque a Suprema Corte estava prestes a decidir se sua reeleição para a presidência, ocorrida em outubro, era ilegal.
A maioria dos detidos já foi libertada. A polícia paquistanesa já teria começado a retirar o arame farpado do lado de fora da casa de Iftikhar Chaudhry, e ativistas subiram nos muros da residência para comemorar a libertação.
Líder do PPP em Punjab, Gillani é admirado dentro do partido por ter sido preso em 2001, depois de se recusar a fazer um acordo com Musharraf.
Analistas afirmam que sua permanência no cargo poderá ser temporária e que o atual líder do PPP, Asif Ali Zardari, viúvo de Benazir Bhutto, poderia tentar se tornar primeiro-ministro no futuro.
Como não tem mandato parlamentar, Zardari não pode ser eleito primeiro-ministro, mas um parlamentar de seu partido poderia deixar o cargo, abrindo caminho para a realização de novas eleições e permitindo que ele chegue ao poder.
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