BBC Brasil
26/03/2008 - 16h46

Máfias brasileiras cobram R$ 7,6 mil por passaporte na Europa

ANELISE INFANTE
da BBC Brasil, em Madri

A chegada em massa de imigrantes à Espanha acabou criando um negócio para as quadrilhas de falsificação de documentos. Segundo a polícia espanhola, máfias do Brasil estão vendendo documentos de identidade e passaportes europeus falsos que chegam a custar o equivalente a R$ 7,6 mil.

De acordo com as investigações policiais, as máfias brasileiras estão criando bases na Espanha desde 2005. Em cidades como Madri, Barcelona, Pontevedra e Múrcia não só captam compradores brasileiros, como distribuem documentação ilegal para outros pontos do continente como Reino Unido, França, Portugal e Itália.

O tráfico da falsficação é lucrativo. Pelos cálculos da Ucrif (Unidade Contra Redes de Imigraçao Ilegal e Falsidades de Documentação), um departamento da polícia espanhola especializado neste crime, cada quadrilha arrecada em torno de 2 milhões de euros por ano (cerca de R$ 5 milhões).

Nos últimos 12 meses, a Ucrif desmantelou sete quadrilhas brasileiras pelo crime de falsificação e 136 pessoas foram presas.

Uma carteira de identidade espanhola falsa custa entre 600 e mil euros (entre R$ 1,5 mil e R$ 2,5 mil, aproximadamente) e um passaporte europeu, cerca de três mil euros (R$ 7,6 mil).

"Os passaportes são portugueses ou italianos. O espanhol é 'infalsificável' desde que foi mudado depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, e de 11 de março de 2004, em Madri", disse à BBC Brasil o porta-voz da Ucrif.

O procedimento que levantou as suspeitas da polícia é o mais comum entre os imigrantes brasileiros. Ir a uma delegacia espanhola com documento português ou italiano (como se tivesse dupla nacionalidade ou fosse europeu), alegando ser cidadão da Europa Comunitária e pedir a emissão do documento de identidade.

Isso significa mostrar um documento falso e tentar receber um verdadeiro. Com o documento de identidade espanhol, o imigrante pode circular pelos 25 países da União Européia sem risco de ser expulso e sem necessidade de visto. Tem acesso a seguridade social, a seguro desemprego, a cartões de crédito europeus e a todo tipo de benefícios sociais no país.

"Isso é o que atrai, apesar do risco", disse um policial da Brigada de Investigação de Falsidade de Documentação. "Quem compra, sabe que tudo é ilegal, mas se deixa levar com a crença de que vale a pena. Só que deveria saber que é crime. Tanto para quem fabrica, vende e distribui, como para quem compra porque, neste caso, não há vítimas", explicou.

Até o ano passado, a maior parte dos documentos falsificados eram portugueses. Mas, desde que a polícia começou a investigar as máfias brasileiras, os italianos passaram a ser os mais usados.

Segundo a polícia, os documentos de identidade italianos são legais. Foram comprados ou roubados de indigentes. Ao chegar à Espanha, esses documentos recebem fotos dos imigrantes brasileiros (mantendo os dados originais das filiações italianas) e, finalmente, vendidos.

Cada brasileiro que trabalha como intermediário recebe, em média, 50 euros (cerca de R$ 130 por cliente).

As máfias funcionam basicamente com quatro estruturas: captação de compradores, obtenção de documentos para adulteração, falsificação e lavagem de dinheiro.

Em uma das apreensões, em agosto passado, a polícia descobriu uma quadrilha formada por 44 brasileiros e que tinha cerca de 50 clientes por semana. Eles operavam em municípios próximos a Barcelona e lucravam mais de 2 milhões de euros por ano (cerca de R$ 5 milhões).

Todos estão presos acusados de crimes de falsificação de documentos, favorecimento de imigração ilegal, associação ilícita e estelionato. Se condenados, as penas vão de três a seis anos por cada um dos crimes.

Comentários dos leitores
M Mig (462) 24/09/2008 19h19
M Mig (462) 24/09/2008 19h19
Srs.
Com o presidente que temos, alguem espera respeito de algum pais culturalmente evoluido??
sem opinião
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RENATO BONI (1) 06/07/2008 07h24
RENATO BONI (1) 06/07/2008 07h24
Me chamo RENATO BONI sou brasileiro moro na ITALIA e tenho cidadania italiana ja fui deportado da FRANçA quando nao tinha documento europeu e sei como tratao os brasileiros na europa,porem penso que a culpa maior sao das pròprias autoridades brasileiras no exterior que preferem se ocultar que ajudar seus compatriòtas,falo porque quando estava preso na frança liguei para o consulado brasileiro de la e simplismente me disseram que nao podiam fazer nada. 4 opiniões
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Aldo Pscheidt (10) 30/04/2008 10h52
Aldo Pscheidt (10) 30/04/2008 10h52
Engraçado terem citado a "coragem" do Lula, não preciso lembrar o quão humilhado o Brasil foi pelas republiquetas que nos cercam. Nossos "hermanos" fazem tudo que querem, e nós fazemos tudo que eles querem. São estes os méritos de Lula? 33 opiniões
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