Emigração para os EUA perde apelo entre os brasileiros, diz "FT"
da BBC
Uma reportagem do jornal "Financial Times" afirma nesta quarta-feira que a emigração para os Estados Unidos "começa a perder apelo para os brasileiros".
Intitulada "Norte começa a perder apelo para os brasileiros", a reportagem conta como a valorização do real e o desaquecimento da economia americana têm levado brasileiros a retornar para o seu país natal.
O artigo mostra como esse fenômeno impacta negativamente, muitas vezes as economias das cidades emissoras.
Só a cidade mineira de Governador Valladares recebeu de volta até 3.000 pessoas nos últimos meses, estima a prefeitura. Na cidade, "imigrantes que retornaram e se desapontaram se tornaram incrivelmente comuns", escreve o repórter Richard Lapper.
Os efeitos vão além. "A enxurrada de pessoas de volta a Valladares está causando prejuízo à economia da cidade. Sueli Siqueira, socióloga da Universidade do Vale do Rio Doce na cidade, entrevistou 200 pessoas que retornaram recentemente, e descobriu que menos da metade delas tinha acumulado capital em seu período nos Estados Unidos", escreve o "FT".
Um jornalista e assessor do prefeito citado na matéria diz que "os preços de imóveis caíram", relata o diário. "Imobiliárias afirmam que poucos imigrantes se é que há têm dinheiro para comprar um terreno à vista. Mais de 20 agentes de viagens especializados no trecho México-EUA fecharam suas portas nos últimos dois anos."
Citando o estudo da professora Sueli Siqueira, a reportagem diz que quase um cada três imigrantes já pensa em voltar para o exterior, desta vez para a Europa aproveitando o euro forte ou o Canadá.
Governador Valladares ganhou reputação como emissora de imigrantes durante a recessão do fim dos anos 1980. Segundo o artigo, entre 30 mil e 40 mil pessoas entre os 250 mil habitantes deixaram a cidade para morar nos Estados Unidos, sobretudo em subúrbios ao redor de Boston.
Segundo o "Financial Times", entre os fatores que tornaram os Estados Unidos "menos atraentes" para os brasileiros estão "o enfraquecimento do dólar, os custos de vida crescentes nos Estados Unidos, o colapso de qualquer esperança de uma reforma migratória e uma política cada vez mais dura (em relação ao tema)".
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