BBC Brasil
02/04/2008 - 13h17

Louvre resgata esplendor cultural da Babilônia; veja galeria

DANIELA FERNANDES
da BBC Brasil

O Museu do Louvre, em Paris, realiza a exposição "Babilônia", que reúne pela primeira vez um número significativo de obras que retratam a importância histórica e cultural da cidade fundada no século 18 a.C. a cerca de 90 km ao sul da capital iraquiana, Bagdá.

A exposição reúne cerca de 400 peças de coleções de 13 países, entre artigos arqueológicos, gravuras, manuscritos e quadros.

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Mitos também são abordados na mostra e a Torre de Babel é um deles; veja galeria
Mitos também são abordados na mostra e a Torre de Babel é um deles; veja galeria

O atual conflito no Iraque impediu o envio de peças para a mostra. No entanto, ainda assim, segundo os organizadores, a conjunto permite "mostrar o país sob um outro ângulo, apresentando seu esplendor cultural".

Embora a primeira menção à Babilônia tenha sido em 2.200 a.C., a cidade foi fundada no início do século 18 a.C. pelo rei Hammurabi, que a tornou a capital do Império Babilônico e um importante centro religioso e cultural.

A exposição começa com o célebre Código de Hammurabi. Na escultura em basalto negro, de mais de dois metros de altura, está inscrito o mais completo conjunto de leis da Antigüidade, anterior às leis bíblicas e que serviu de modelo jurídico para todo o Oriente Médio.

Entre os 282 artigos do Código de Hammurabi, na área de direito civil, penal e comercial, é determinado, por exemplo, que, "se um notável tiver o olho furado por outro notável, o olho deste será furado". A mesma sentença também é aplicada no caso de um dente quebrado, o que inspirou posteriormente a lei de talião "olho por olho, dente por dente".

Toda a primeira parte da exposição é dedicada aos grandes períodos que marcaram a história da Babilônia, de Hammurabi ao apogeu da cidade, com Nabucodonosor 2º (de 605 a 562 a.C.), chegando até a perda de independência, após a invasão persa em 539 a.C. e, posteriormente, o domínio grego.

Esplendor

Nabucodonosor 2º ampliou o Império Babilônico e deu à capital seu esplendor arquitetônico. Ele construiu muralhas com tijolos coloridos decoradas com leões, dragões e outros animais. Alguns desses painéis de tijolos podem ser vistos na exposição.

Foi durante seu reinado que ocorreu a invasão e a destruição de Jerusalém e a deportação de judeus, o que contribuiu, posteriormente, para que a Igreja se referisse à Babilônia como uma "cidade maldita e pecaminosa".

A segunda parte apresenta a herança cultural da civilização babilônica. Inúmeras placas de argila com inscrições, espécies de livros, tratam dos mais variados temas, de conhecimentos científicos à literatura. Até mesmo dicionários já existiam. A língua babilônica, utilizada do Irã até o Egito, era a linguagem da diplomacia e da cultura.

Os mitos sobre a Babilônia também são abordados na mostra, que apresenta uma sala inteira com quadros do século 16 e outros mais recentes, retratando a lenda da torre de Babel. Livros raros, como um manuscrito holandês do século 16 de Santo Agostinho, apresentam a Babilônia invadida por criaturas diabólicas, símbolo dos "vícios" encarnados pela cidade.

Para os gregos, ao contrário, a Babilônia é uma cidade esplêndida e culturalmente rica.

 

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