Inflação de alimentos pode causar ruptura econômica, diz FMI
BRUNO GARCEZ
da BBC, em Washington
O aumento da inflação, especialmente a de alimentos, poderá ter impactos terríveis se não forem tomadas medidas urgentes para conter a alta de preços, segundo o diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn.
Os comentários de Strauss-Kahn foram feitos neste sábado (12), durante uma entrevista coletiva, na sede do fundo, onde está sendo realizada a Reunião de Primavera do FMI e do Banco Mundial.
''Se os preços de alimentos continuarem como estão atualmente, as conseqüências serão terríveis. Crianças sofrerão de desnutrição, centenas de milhares passarão forme, o que levará a uma ruptura econômica'', advertiu o diretor do fundo.
Recentemente, países como Haiti, Egito e Bangladesh viveram motins provocados pela alta de preços de alimentos. A perdurar o quadro atual, no entender de Strauss-Kahn, isso pode fazer com que ''governos que foram bem nos últimos cinco, dez anos, vejam tudo o que fizeram ser destruído e tenham todo o seu legado comprometido''.
Reforma de cotas
Na sexta-feira, o grupo de nações que constitui o chamado G-24, que defende as posições de países em desenvolvimento em relação a temas como política monetária internacional, lançou um comunicado defendendo o envio de mais ajuda a países pobres, para que eles possam agir contra a alta de preços de alimentos e a instabilidade financeira.
Em outro documento, divulgado neste sábado, os integrantes do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC) afirmam que o FMI deve ter como prioridade os riscos de contágio causados pelos recentes episódios nos mercados financeiros. O comitê também alertou para o aumento da inflação global.
Um dos temas da coletiva de Dominique Strauss-Kahn neste sábado foi a reforma no sistema de cotas da instituição, que deverá aumentar o poder de votos de países emergentes, entre eles o Brasil.
De acordo com o diretor do fundo, com o fim da discussão e o fato de muitos países que vinham reivindicando um maior papel terem consentido com o aumento de cotas, o FMI poderá se dedicar a temas mais urgentes.
Agora, disse Strauss-Kahn, o FMI ''precisa parar de olhar para dentro, para nossa própria organização, e passar mais tempo olhando para fora, para os problemas do mundo''.
Alegria
O diretor do fundo chegou a brincar, dizendo que, durante a reunião que teve pela manhã, ficou satisfeito ao constatar a alegria de diferentes ministros das Finanças.
"Foi um prazer conferir que a longa lista de ministros, Mantega, do Brasil, Chidambaram (o indiano, Palaniappan Chidambaram), ficaram felizes com a reforma''.
Strauss-Kahn frisou que o tema ainda não está plenamente definido, mas se disse confiante de que a maioria de 85% necessária para referendar a reforma será alcançada até o prazo final de votação, em 28 de abril.
O Brasil seria um dos beneficiados pela reforma. O país, que atualmente conta com 1,4% em cotas, passaria para 1,7%.
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