Partido maoísta abre vantagem em eleição no Nepal
da BBC Brasil
O partido maoísta do Nepal abriu nesta segunda-feira uma ampla vantagem sobre os concorrentes nas eleições que elegerão uma Assembleia Constituinte para reescrever a Constituição do país, e que pode acabar com a monarquia.
Segundo os resultados parciais, os maoístas já teriam contabilizado mais da metade dos 160 assentos que já foram declarados --cerca de 600 estão em jogo no total--, um desempenho melhor do que previam analistas.
Um dos líderes do partido, Baburam Bhattarai, disse à BBC que o grupo deve liderar o próximo governo, dando início à abolição da monarquia, conforme o combinado em dezembro passado entre o governo e ex-rebeldes.
Bhattarai disse acreditar que o regime seria desmantelado em três semanas, com a subseqüente nacionalização do palácio real.
"Provavelmente vamos transformar o palácio em um museu que o público poderá visitar e aproveitar", disse ele.
Ele afirmou que o partido está comprometido com a liberdade de imprensa e com um cenário político multipartidário. Apesar de maoísta, ele afirmou que a sigla quer grande parte da economia em mãos privadas.
"Neste momento estamos lutando por uma democracia capitalista, nem mesmo pelo socialismo. Apenas quando tivermos uma base capitalista poderemos construir o socialismo", ele expôs.
Diante de pôsteres de ícones e ideólogos do comunismo, como Mao Tse Tung, Lênin, Marx e Engels, Bhattarai disse que o partido quer tirar lições do que chamou de erros das gerações passadas, segundo o correspondente da BBC em Katmandu, Charles Haviland.
Voto de confiança
As eleições, que foram realizadas na quinta-feira, são o primeiro teste para os maoístas após dez anos de insurgência armada, que custou a vida de 13 mil pessoas.
O correspondente da BBC diz que o processo eleitoral, que pode render ao partido a maioria na Constituinte, é um voto de confiança extraordinário no grupo.
O segundo maior partido do Nepal, Congresso Nepali, está bem atrás, com 21 cadeiras. Vários políticos experientes ou seus afilhados políticos estão tendo mau desempenho, disse o repórter.
Durante a votação, três pessoas --entre elas um candidato independente-- foram assassinadas em crimes relacionados à eleição. Os incidentes aconteceram no sudeste do país, onde as tensões étnicas são maiores.
No entanto, as autoridades eleitorais dizem que o pleito ocorreu em relativa tranqüilidade.
O Nepal - conhecido pelas paisagens paradisíacas e pelo Monte Everest - é uma das nações mais pobres do mundo.
O país também vive em clima de tensão devido a disputas entre a monarquia do país e rebeldes maoístas, que querem implantar um regime comunista.
Em 2005, o rei Gyanendra assumiu o total controle do país. No entanto, ele foi obrigado a abdicar de grande parte dos seus poderes em abril de 2006, depois de meses de protestos pró-democracia.
Leia Mais
- Rei do Nepal se declara satisfeito com eleições no país
- Maoístas lideram no início da apuração no Nepal
- Comissão eleitoral no Nepal cancela votação em 60 mesas do país
- Eleições no Nepal têm participação de 60%; três pessoas morrem em conflitos
Especial

