BBC Brasil
20/04/2008 - 12h45

Hillary e Obama aderem ao estilo "povão" para cortejar eleitores

BRUNO GARCEZ
da BBC Brasil, na Filadélfia

Os dois pré-candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos fazem uso de um estilo mais informal para cortejar o eleitor médio da Pensilvânia, predominantemente branco e da classe trabalhadora. As primárias do Estado ocorrem na próxima terça-feira (22).

Em comícios na Pensilvânia, Hillary Clinton, cujo pai é natural de Scranton --uma cidadezinha do Estado-- costuma lembrar de sua infância, das idas à Igreja aos domingos e da vez que seu pai a ensinou a atirar.

A senadora tem feito inúmeras paradas em bares locais, onde toma doses de uísque e saboreia batatas fritas.

A campanha na Pensilvânia também tem levado o senador Barack Obama a mudar sua dieta básica.

Em seu período no Senado, consta que Obama, interessado em manter o físico delgado, era um freqüentador regular da academia local e procurava consumir refeições balanceadas.

Bem distante do candidato que agora encara hambúrgueres com fritas e molha a garganta com copos de Yuengling, a saborosa, porém encorpada, cerveja que é um dos orgulhos locais, criada em 1829, na cidade de Pottsville.

Amargos

Os esforços em se mostrar em sintonia com as camadas mais populares da Pensilvânia tiveram de ser intensificados por Obama nas últimas semanas, após comentários feitos em campanha.

O Estado conta com um expressivo índice de desemprego, na faixa de 7%. O quadro atual e o declínio econômico vivido na Pensilvânia, segundo o senador, vem contribuindo para que os moradores de cidades do interior se tornem pessoas amargas, que se apegam à religião e às armas.

Hillary rapidamente aproveitou a gafe do rival para caracterizá-lo como um elitista, que despreza uma fatia importante de seus potenciais eleitores.

A senadora procurou estabelecer contrastes com o rival. Ela contou ter crescido em uma família religiosa e que as pessoas de fé que ela conhece abraçaram a sua crença "não porque elas sejam amargas" nem por serem "materialmente pobres, mas por serem espiritualmente ricas".

Ela lembrou ainda que os americanos que defendem o porte de armas o fazem porque a Segunda Emenda da Constituição americana lhes garante esse direito e que caçar é algo enraizado na cultura norte-americana.

Alguns moradores locais acreditam que Obama mostrou desconhecer os moradores locais ao fazer seus comentários.

"A guerra (no Iraque) fez com que todos os Estados Unidos se tornassem amargos. Mas nós aqui na Pensilvânia temos mostrado resistência, batalhado para conseguir empregos e para tocar a vida. Barack mostrou desconhecimento", disse à BBC Brasil Jessica Muniz, que apóia Hillary por entender que ela é a candidata mais apta a retirar os soldados americanos do Iraque.

Alheios

Mas muitos moradores da Pensilvânia ficaram alheios à polêmica. É o caso do estudante de ciências políticas Williams Ubi, que vai votar em Obama.

"Ele é o mais fantástico orador que eu já vi. É algo eletrizante, nunca vi um político assim."
Ubi, que é de origem nigeriana, conta que o impacto da candidatura do senador pode ser sentido até internacionalmente.

"Meus primos em Londres e minha família na Nigéria perguntam por ele, falam sobre Obama com entusiasmo."

O taxista Fredo Nazaire, de origem haitiana, é um correligionário de Hillary que diz gostar de Obama, mas acredita que sua candidata é a mais qualificada para conduzir os Estados Unidos atualmente.

"Ela tem um projeto para fazer com que a economia volte a ser o que era antes e tem mais experiência que Obama", afirmou Nazaire.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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