BBC Brasil
21/04/2008 - 08h17

Chelsea oferece contraponto "light" a Hillary

BRUNO GARCEZ
da BBC, em Lansdowne

A oradora que sobe ao palco demonstra um conhecimento aprofundado do programa de governo de Hillary Clinton, faz críticas contundentes ao presidente George W. Bush e demonstra empatia com os eleitores e com os temas que os afligem.

Dada a reação do público e as disputas para tirar uma foto ao seu lado, parece até que Chelsea Clinton, 28, está concorrendo a algum cargo. Mas ela se diz nada mais do que uma cabo-eleitoral de sua mãe.

Ela demonstra a mesma capacidade desfrutada por Hillary de esmiuçar temas por vezes complexos, mas é menos afeita a detalhes que a mãe, que muitas vezes envereda por longas e algo enfadonhas explanações.

Quando indagada se pretende exercer alguma função em um possível novo governo Clinton, Chelsea não titubeia: "Não, eu tenho uma vida pessoal em Nova York. Tenho um cachorro, um apartamento e um namorado".

"Melhor que o pai"

O carinho de Chelsea pela mãe é tamanho que ela afirma: "Acho que minha mãe seria uma presidente melhor que meu pai, porque ela é mais preparada, soube trabalhar com a oposição no Congresso, e é uma lutadora. E o que precisamos agora, é de uma lutadora".

O comentário arranca aplausos dos presentes a um pequeno auditório da sede local da Associação Cristã de Moços. A platéia é formada predominantemente por membros da comunidade asiática que solicitaram o encontro e que apóiam Hillary Clinton.

A participação de Chelsea no evento se deu após exibições de danças tradicionais do Camboja e de uma canção típica de Bangladesh, interpretadas por grupos de crianças.

Chelsea subiu ao palco pouco depois, agradeceu aos organizadores, fez uma rápida introdução e respondeu às perguntas dos presentes, um formato com o qual ela já está acostumada, pois tem feito o mesmo em inúmeras paradas da corrida eleitoral, em especial em colégios e universidades.

Pergunta polêmica

No mês passado, pela primeira vez ela chegou perto de perder a linha, quando respondeu a uma pergunta de um estudante de uma universidade de Indiana se a credibilidade de sua mãe havia sido arranhada pelo escândalo Monica Lewinsky.

Na ocasião, Chelsea afirmou: "Uau, você foi a primeira pessoa a me fazer essa pergunta nos, talvez, 70 campus universitários em que já estive, e não acho que isso seja de sua conta". A platéia local manifestou apoio à sua reação, batendo palmas.

Na Associação Cristã de Moços de Lansdowne, Chelsea não enfrenta tais interpelações de uma platéia formada, predominantemente, por simpatizantes de sua mãe.

Quando o tema é algo como combater a obesidade infantil, a filha do casal Clinton afirma que é preciso atacar em duas frentes, lembrando que sua mãe pretende eliminar a fome infantil até 2012 e dar financiamento para um programa que destinará café da manhã gratuito para alunos de escolas e almoço para jovens que contam com poucos recursos financeiros.

Crítica a Bush

Sobre pesquisas de células-tronco, Chelsea afirma: "Minha mãe votou pelo projeto e ele foi aprovado em um acordo bipartidário, mas o presidente Bush o vetou, dentro da guerra que ele vem travando contra a ciência".

O suposto confronto entre o líder americano e a pesquisa científica é um tema recorrente em comícios de Hillary Clinton.

Quando uma das presentes, uma música, indaga o que Hillary fará em prol da educação pública, Chelsea lista planos de sua mãe para a área e inclui a sua própria experiência pessoal.

A jovem afirma ser constrangedor que os estudantes americanos ocupem a 27ª representação em matemática e ciência, ainda mais lembrando que ela própria já foi uma professora de 4ª série. Ela também frisa a necessidade de financiar programas artísticos em escolas, algo que diz conhecer bem, pois fez balé por 15 anos.

Não à imprensa

Chelsea não é candidata a nada, como ela própria frisa, mas seu carisma, sua espontaneidade e seu talento oratório fazem crer que uma trajetória política pode estar por vir.

Mas não foi possível confirmar essa tese com a própria Chelsea. Um dos fatos mais marcantes de Chelsea Clinton é que ela se recusa terminantemente a dar entrevistas e a responder quaisquer perguntas de jornalistas.

Uma das repórteres que já foi dispensada por Chelsea, no passado, foi uma menina de 9 anos, que queria uma entrevista para seu jornalzinho escolar. A filha do casal Clinton disse que não falava com a mídia e que isso também se aplicava à repórter-mirim.

Mas como Chelsea acrescentou também que a mocinha era "muito bonitinha", ela concordou em tirar uma foto com a jovem, que deu uma entrevista à rede CNN, na qual se disse feliz por ter sido tratada como toda a imprensa de verdade.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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