BBC Brasil
22/04/2008 - 07h31

Análise: Milagre de dois dígitos

LUCAS MENDES
da BBC, em Nova York

Depois de seis semanas sem primárias, mas ricas em campanhas negativas e caras, temos mais um momento decisivo.

Com seus 158 delegados, a Pensilvânia é o último dos grandes Estados, mas há décadas não tinha papel tão importante em eleições primárias, porque em geral estavam já decididas quando chegava sua vez de votar.

Há seis semanas Hillary Clinton estava liderando em algumas pesquisas com 20 pontos de vantagem. Neste fim de semana, pela primeira vez, uma das pesquisas colocou Obama um ponto na frente da senadora, mas a média está entre cinco e seis pontos a favor dela.

Se ganhar por esta margem a campanha vai continuar em crise. Hillary Clinton precisa de uma diferença de dois dígitos, dez pontos percentuais, como aconteceu em Ohio, ou mais, encheriam as velas da senadora, dos republicanos que querem ver mais sangue democrata e deixariam a campanha de Obama em crise.

Ela iria para as outras primárias com novo impulso e argumentos para conquistar superdelegados. Ambos derramaram dinheiro no Estado, mas o senador gastou quase o triplo.

Na terra de Rocky Balboa, adotado como um dos símbolos de Hillary, que não joga a toalha branca, o senador quer um nocaute para não arrastar a campanha até Indiana --onde ela é favorita-- e Carolina do Norte, onde ele lidera graças ao voto negro.

E caso ele não derrube Hillary Clinton nesta terça-feira a campanha vai esticar até junho, talvez até a convenção.
Rural e urbano, um microcosmo dos Estados Unidos, um dos berços da revolução industrial, o Estado construiu o país com suas estradas de ferro, minas de carvão e usinas de aço.

Hoje vive uma prosperidade high-tech cercada de decadência nas antigas cidades industriais. O Estado tem cidades muito liberais e regiões onde dominam religiões fundamentalistas e culto às armas.

Barack Obama é favorito nos subúrbios ricos, nos centros universitários --e são muitos-- e entre os negros, que representam 10% da população, a maioria concentrada nas duas grandes cidades, Filadélfia e Pittsburgh.

Hillary leva vantagem entre os homens mais velhos, as mulheres em geral, entre os católicos, na classe média pobre e nas áreas rurais.

A família dela tem uma conexão com a Pensilvânia. O pai nasceu e foi enterrado em Scranton, onde ela passou boa parte da infância.

Nas últimas semanas ela cruzou o Estado com uma disposição desesperada, bebendo uísque e cerveja nos bares, populista e com histórias sobre caçadas de patos.

O marido Bill e a filha Chelsea, em geral separados, comparecem a pelo menos quatro eventos e comícios por dia.

Até a semana passada a campanha do senador Obama tinha sido moderada nos ataques, mas a participação dele no último debate, semana passada, foi fraca, e os marqueteiros decidiram revidar as críticas de Hillary, em dobro.

Os candidatos gastaram milhões para registrar novos eleitores, e agora o Estado tem mais 327 mil democratas.
Bom para o partido, mas não necessariamente para Hillary. Uma pesquisa mostrou que a maioria tem de 18 a 24 anos e 62% planejam votar em Barack Obama.

Desde domingo, diante dos gastos em publicidade e do crescimento de Obama nas pesquisas, os assessores da senadora baixaram as expectativas e acham que se ganhar por 6 ou 7 pontos será ótimo e ela poderá continuar até Indiana e Carolina do Norte e além. Cinco pontos ou menos é o fim.

Além disto, a campanha dela está endividada, enquanto a dele tem dinheiro de sobra. Um resultado ruim vai secar os cofres da senadora.

Como aconteceu em Ohio, eu acho que ela pode contrariar as pesquisas e conquistar os 2 dígitos milagrosos.
Senão, é hora de parar com minhas previsões, de ela dizer bye bye e dar vivas a Obama.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
avalie fechar
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
avalie fechar
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2849)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca