BBC Brasil
30/04/2008 - 07h24

Austríacos fazem vigília por mulher que ficou presa em porão

da BBC

Centenas de pessoas fizeram uma vigília na noite desta terça-feira, em Amstetten, na Áustria, cidade em que Josef Fritzl manteve a filha Elisabeth presa em um porão durante 24 anos.

Os moradores da pacata cidade, que fica a 120 quilômetros da capital Viena, demonstraram solidariedade à mulher e aos seis filhos que ela teve com o pai. "Nós queremos mostrar que Amstetten não é uma cidade de criminosos", disse o prefeito da cidade.

O evento foi organizado por uma escola religiosa local e atraiu pais, crianças, professores e religiosos.

Testes de DNA confirmaram na terça-feira que Josef Fritzl é mesmo o pai das crianças que teve com a filha durante o tempo em que a manteve no porão.

Encontro emocionante

Autoridades austríacas disseram ter sido "emocionante" o reencontro entre Elisabeth, hoje com 42 anos e dois dos três filhos que viviam com ela no porão, com os outros três que moravam no andar de cima da casa, com o pai e a avó.

O encontro ocorreu em uma clínica psiquiátrica onde a família está recebendo tratamento. A mulher de Fritzl, Rosemarie, que durante os 24 anos acreditou que a filha havia fugido de casa para se unir a uma seita religiosa, também ficou muito emocionada ao rever Elisabeth.

"Foi impressionante a facilidade como mãe e filha se reaproximaram", disse Berthold Kepplinger, diretor da clínica psiquiátrica.

Kepplinger ainda disse que os membros da família interagiram com naturalidade, mas que duas das três crianças, com 18 e 5 anos --que passaram toda a vida sem ver a luz do sol-- se comunicavam de maneira "completamente anormal".

Kirsten, a filha mais velha da mulher, com 19 anos, ainda está internada no hospital em estado de coma, após passar a vida em confinamento.

Momentos terríveis

O diretor da clínica disse também que Elisabeth "falou bastante" sobre os momentos terríveis que passou no porão, mas não revelou detalhes.

O advogado de Josef Fritzl, Rudolf Mayer, disse à BBC que apesar de o austríaco não ter demonstrado arrependimento pelos crimes que cometeu, parecia muito triste e "emocionalmente abalado".

Três das sete crianças que o pai teve com a filha eram mantidas no porão com a mãe enquanto as outras três foram adotadas por Fritzl e sua mulher.

Para conseguir a adoção, ele teria forçado Elisabeth a escrever cartas dizendo que não poderia educá-las.
Segundo as autoridades, assistentes sociais faziam visitas regulares à família e nunca levantaram suspeitas.

Em relatórios, eles diziam que a mulher de Fritzl era muito "atenciosa" e que as crianças que viviam com a família tocavam instrumentos musicais, freqüentavam a escola e clubes de recriação.

Se condenado, Josef Fritzl poderá pegar até 15 anos de prisão por estupro e seqüestro. A corte ainda está considerando uma pena relativa "a assassinato por omissão" em conexão com a morte de um dos sete filhos que ele teve com Elisabeth.

Comentários dos leitores
Ellen . (23) 11/06/2008 15h45
Ellen . (23) 11/06/2008 15h45
MARILIA / SP
O termo "casta advocatícia" realmente representa bem nossa triste realidade. É lamentável ver como a nossa democracia funciona: 90% dos brasileiros não sabem o que é Constituição. Os poucos que têm acesso, como os profissionais formados em direito, seguem dois caminhos: ou vão para a área burocrática do Estado, em busca de estabilidade profissional, ou seguem o caminho mercadológico, atuando em empresas ou particulares.
Imaginem que um cidadão nasce e morre sem ao menos ter conhecimento de seus direitos básicos??
A mídia?Bom, esta apenas condena o povo à ignorância eterna, com novelas, programas de auditório, etc.
Brasileiros, há manifestações nos quatro cantos do mundo!!Não estamos no fim da história, no mundo cada um por si, ganhe dinheiro, endivida-se, seja feliz comprando, enriqueça os bancos.
Você ganha pouco?se mata de trabalhar pra enriquecer o patrão?Não tem um sistema de saúde de qualidade?seu filho não tem acesso à educação de qualidade?Oras, o importa?Se posso comprar à prestação meu novo celular, uma geladeira nova, etc?
Essas "necessidades" tecnológicas dão a falsa idéia de satisfação pessoal.As novelas mostram um mundo irreal.
Resultado: viramos apenas consumidores e perdemos nosso papel enquanto cidadãos. Conseqüência?Perdemos nossos direitos, as injustiças aumentam, a política serve ao mercado e regredimos na história!
sem opinião
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porfirio sperandio (317) 11/06/2008 13h12
porfirio sperandio (317) 11/06/2008 13h12
BRAGANCA PAULISTA / SP
Nao e' que banalizou. Oras se isso se tornou uma pratica social, deixou de ser crime .
Foi extamanete isso que ouvi de um advogado ...
Deveriamos criar oque pra melhorarmos a casta advocaticia !? Ela e' responsavel por essas hipocrisia social.
sem opinião
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Ellen . (23) 10/06/2008 10h09
Ellen . (23) 10/06/2008 10h09
MARILIA / SP
Caros,
A mídia "descobre" um caso, entre centenas de casos. No Brasil há demasiados casos semelhantes dos quais nunca saberemos. Pais que abusam de filhos, crianças que sofrem das mais variadas violências.
No caso da Áustria, como citou Vera Lúcia, os filhos jamais tiveram acesso à escola, ao médico, ao dentista ao parque, ao zoológico.
Oras, pra quê tanta perplexidade?Aqui no Brasil há 50 mil casos de crianças que trabalham em condições análogas ao de escravos. Temos milhares de crianças que nunca tiveram acesso ao dentista, ao médico. Temos centenas de casos de crianças que nunca tiveram acesso à escola. Inclusive encontramos com elas muitas vezes nas ruas diariamente.
Bom, mas isso aqui virou banalizou demais e hoje já é algo "comum'.
É exatamente esta a intenção de nossa mídia brasileira.: provocar o "horror' com acontecimentos como esse e banalizar os casos mais graves, com maiores proporções, que paulatinamente destroem a sociedade brasileira.
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