BBC Brasil
05/05/2008 - 07h40

Obama foge de tom conciliatório e ataca Hillary

BRUNO GARCEZ
da BBC Brasil

Em um evento realizado neste domingo à noite no Indiana Convention Center, em Indianápolis, o Partido Democrata americano tentou mostrar coesão e passar a mensagem de que permanece unido, a despeito da longa e cada vez mais tensa campanha entre os senadores Hillary Clinton e Barack Obama.

Foi esse o tom de boa parte dos discursos realizados na cerimônia, entre eles o da própria Hillary. Mas enquanto a senadora adotou um tom conciliatório, seu rival jogou críticas bastante diretas às suas posturas e a algumas de suas propostas.

Obama atacou o projeto defendido pelo provável candidato republicano à Casa Branca John McCain e apoiado por Hillary de suspender, durante o verão americano, um imposto cobrado pelo governo federal sobre gasolina.

'"A resposta que está sendo dada por alguns é temporária, um indulto a um imposto sobre gasolina que seria adotado durante o verão, que é o mesmo que John McCain defende. Isso só economizaria US$ 0,30 por dia", disse o senador.

Obama acrescentou que a proposta parece '"um gesto de políticos que buscam acertos até a próxima eleição, em vez de soluções verdadeiras". Os dois democratas disputam, nesta terça-feira, eleições primárias nos Estados de Indiana e Carolina do Norte.

Promessas

O senador também fez referência à suposta tendência de Hillary de fazer promessas que não sabe se poderá cumprir, com o mero intuito de atrair eleitores.

"Eu gostaria de poder prometer que já no primeiro dia eu aprovaria cada plano e cada proposta, mas o meu palpite é que você já ouviu isso antes", afirmou, arrancando aplausos da platéia.

O recado pareceu claro, uma vez que Obama subiu ao palco logo em seguida a Hillary, que realizou um discurso recheado de promessas.

A pré-candidata afirmou que vai cobrar das companhias petrolíferas os US$ 55 bilhões que elas teriam tido de indulto durante a gestão de George W. Bush e oferecer essa mesma quantia em isenções de impostos para a classe média.

A senadora também afirmou que pretende "jogar duro com a China". "Quando eu for presidente, a China voltará a ser tratada como uma parceira. Nós promovemos livre comércio, mas o tratamento não é recíproco. É hora de dizer basta."

Bandeira branca

Em outras passagens de seu pronunciamento, Hillary acenou com gestos de paz para com o rival. "Nós fomos abençoados ao longo de diferentes gerações por homens e mulheres que viam os Estados Unidos como o país que poderia e deveria ser. Graças a eles, agora eu e o senador Obama estamos aqui neste palco. Graças a eles, a próxima geração dá como fato que uma mulher ou um afro-americano poderão ser o próximo presidente dos Estados Unidos."

Os momentos mais conciliatórios no discurso de Obama foram escassos. Em um deles ele lembrou de mazelas que atingiram a sua campanha, como as frases controvertidas de seu ex-pastor, o reverendo Jeremiah Wright, comparando-as a um relato feito por Hillary de que ela desembarcou na Bósnia, em 1996, como primeira-dama, sob tiros de franco-atiradores.

Imagens de arquivo divulgadas posteriormente contrariaram os relatos. "Esta eleição é maior do que tiros de franco-atiradores ou os comentários do ex-pastor", afirmou.

O senador comentou ainda: "Estou convencido que a senadora Clinton e eu compartilhamos de alguns dos mesmos valores que vocês, sobre o que o Partido Democrata deve representar."

A favor ou contra

O senador Evan Bayh, um dos mais fortes correligionários de Hillary em Indiana, comentou que seu apoio à senadora não representa que ele é contra Barack Obama.

O presidente do Comitê Nacional do Partido Democrata, Howard Dean, afirmou que "esta eleição não é sobre Hillary Clinton ou Barack Obama. É sobre restaurar a autoridade moral de nosso país".

Obama brincou com a longa duração da campanha presidencial, que já dura 15 meses - "um período que permite a um bebê nascer e até a começar a falar" - e sobre os contratempos que a disputa tem oferecido ao líder do partido.

"Eu sei que temos até causado um certo estresse ao presidente (Howard) Dean, mas ele tem se portado de forma digna, como de praxe", afirmou.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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