BBC Brasil
07/05/2008 - 04h33

Chile desocupa área afetada por erupção de vulcão

da BBC Brasil

Autoridades do sul do Chile determinaram a desocupação total da área em torno do vulcão Chaitén e colocaram a região em alerta máximo.

Depois de ao menos 450 anos adormecido, o vulcão entrou em atividade na última sexta-feira (2), expelindo cinzas e gases e tomando de surpresa os moradores da região e as autoridades.

Mais de 4.000 pessoas já foram retiradas da cidade de Chaitén, que fica a apenas dez quilômetros do vulcão, na região da Patagônia.

Na segunda-feira (5), a presidente do Chile, Michelle Bachelet, supervisionou a desocupação voluntária de Futaleufú, cidade de cerca de 1.800 habitantes localizada a aproximadamente 80 quilômetros do vulcão.

"A desocupação é necessária devido aos altos índices de contaminação", disse Bachelet.

A presidente, que no dia anterior havia visitado a cidade de Chaitén, viajou à região acompanhada dos ministros de Obras Públicas, Defesa, Agricultura, Saúde e Educação.

Restam na área apenas alguns poucos moradores, equipes de emergência e jornalistas.

Alguns moradores de Chaitén cruzaram a fronteira com a Argentina. Outros foram levados para a ilha de Chiloé e para a cidade de Puerto Montt, no sul do Chile.

Argentina

A incessante chuva de cinzas lançada pelo Chaitén provocou a contaminação do ar e da água em um raio de vários quilômetros ao redor do vulcão.

As cinzas do vulcão também afetaram cidades na província de Chubut, na Argentina, onde foram fechadas escolas, aeroportos e algumas estradas.

O governador da Província argentina, Mario das Neves, anunciou o envio de 12 mil litros de água mineral e de caminhões-tanque com água potável para as cidades atingidas pelas cinzas.

As autoridades chilenas acreditam que, apesar da evacuação, os efeitos da atividade do vulcão serão sentidos na pecuária e na agricultura da região.

"Não sabemos o que vai acontecer com o vulcão. Não sabemos se pode continuar lançando cinza, não sabemos se pode aparecer lava", disse Bachelet.

O ministro do Interior chileno, Edmundo Pérez Yoma, disse que "não existe um registro histórico sobre este vulcão e, por isso, não é possível saber se a emissão de cinzas vai se manter por semanas ou meses".

O Chile tem a segunda maior e mais ativa cadeia vulcânica do mundo, atrás apenas da Indonésia.
Calcula-se que 500 dos cerca de 2 mil vulcões chilenos sejam potencialmente ativos.

 

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