BBC Brasil
07/05/2008 - 07h58

Grau de investimento não é certificado de desenvolvimento, diz "FT"

da BBC Brasil

Em meio à euforia dos investidores, "todos precisam manter um sentido de perspectiva" sobre a elevação da nota da dívida brasileira ao grau de investimento pela agência Standard & Poor's, segundo afirma editorial do diário britânico "Financial Times" nesta quarta-feira.

"Afinal de contas, as agências de classificação de risco, como a Standard & Poor's, simplesmente avaliam a capacidade dos devedores de pagarem suas dívidas. Um grau de investimento torna a dívida do país mais atraente para grandes fundos de pensão e seguradoras. Não é um certificado de desenvolvimento", observa o jornal.

Entenda o que é "rating" ou nota de risco

Apesar disso, o jornal comenta que "a conquista do Brasil é notável". "Seis anos atrás o país era amplamente visto como à beira da falência. A dívida interna, denominada em moeda local, ainda é alta. Mas a S&P acredita que isso é mais do que compensado por uma queda acentuada no endividamento externo e na administração firme da economia, baseada no desenvolvimento de instituições mais confiáveis", diz o editorial.

O "Financial Times" sugere que a elevação da nota do Brasil indica uma tendência mais ampla entre os países emergentes devedores e comenta que na última década a S&P elevou a nota de 14 governos de países emergentes para grau de investimento.

"O Brasil agora tem um status semelhante ao de Índia, Rússia e China, as três outras economias emergentes gigantes (os chamados Brics), cujo crescimento está transformando a economia mundial", diz o editorial.

Complacência

O jornal adverte que "não há espaço para complacência na expansão do clube do grau de investimento".

"A classificação BBB- conferida ao Brasil (assim como à Índia) é a mais baixa do grau de investimento. O critério de classificação da agência sugere que os credores deste tipo de dívida ainda podem ser atingidos por uma mudança nas circunstâncias externas, tais como uma recessão americana mais profunda do que a esperada ou uma queda acentuada nos preços das commodities", observa o editorial.

O jornal comenta ainda que "além disso, as avaliações mudam" e relata que vários países já foram elevados ao grau de investimento e depois perderam a classificação - no caso mais recente, o Uruguai, em 2002.

"Acima de tudo, finanças sólidas são uma condição necessária, mas não suficiente, para um desenvolvimento econômico mais amplo. Países emergentes como a China e o Chile estão muito mais bem avaliados do que o Brasil, mas mesmo eles ainda precisam alcançar para seus cidadãos o nível de vida considerado como norma no mundo desenvolvido", diz o editorial.

O "Financial Times" afirma que o Brasil tem o direito de se dizer "um país sério", como afirmou na semana passada o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas adverte que "isso não poderia ser visto como uma desculpa para complacência política".

"Assim como outros Brics, o Brasil ainda tem muito trabalho duro a fazer se quiser entrar para o grupo de países do primeiro mundo", conclui o jornal.

Continuidade

A elevação da nota da dívida brasileira também é tema de um editorial publicado nesta quarta-feira pelo diário argentino La Nación, para quem ela representa "o triunfo da continuidade de políticas de Estado ao longo de sucessivos governos".

Para o jornal, a contrapartida do caso brasileiro é a Argentina, "que se reflete em retrocessos relativos e na gravidade crítica com a qual se julga no cenário mundial".

"Enquanto o país de Lula adquiriu o tão apreciado grau de investimento, a qualificação de nossa dívida soberana sofreu um revés: agências internacionais de classificação de risco sinalizaram com uma tendência negativa, e se o Estado argentino decidisse hoje buscar financiamento, teria que aceitar taxas de juros bastante elevadas", observa o editorial.

Para o diário argentino, "o Brasil brinda a manifestação mais eloqüente de que a linha divisória entre esquerda e direita é uma questão do passado e que hoje os países devem resolver entre estar a favor do progresso, racional e solidário, ou ficar presos nas redes do populismo irracional".

"Lula exibe a virtude dos estadistas capazes de superar velhos preconceitos e pode dizer, com razão, que o Brasil 'passou a ser considerado um país sério'", diz o jornal.

Comentários dos leitores
J. R. (302) 17/06/2009 15h08
J. R. (302) 17/06/2009 15h08
No grupo "Bric" o Brasil é o único a não possuir armamento nuclear, ficando "no mato sem cachorro". Propondo a cesta de moedas e não utilização do dólar como moeda de troca pode ser mais um erro, indo de encontro aos interesses de China e Rússia, que querem o Yuam e o Rublo como moeda de referência. Ora, todos os quatro países tem suas reservas dolarizadas, então estão na mão dos EUA que é o grande gestor, como abrir mão dessa moeda de troca? Há uma incoerência. O Presidente da AIEA El Baradei afirmou que com bomba nuclear a Coréia do Norte pode ir para a mesa de negociação, e que o Iraque de Sadam Russein por não tê-la foi pulverizado (na verdade só tinha traidores a sua volta). Baradei está a 21 anos como diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), até agora não houve consenso para substituí-lo, por isso talvez tenha dado essa declaração "bombástica" mas verdadeira, a despeito dele ser um egípcio muçulmano. É mais uma das pérolas que podem ser úteis, enquanto alguns preferem ver Obama esmagando moscas no Youtube, pensando talvez em um modo de esmagar os inimigos dos EUA. O caminho para que o Brasil tenha capacidade de dissuasão depende inicialmente em adquirir capacidade potencial bélica, depois será necessária a árdua tarefa de mudar a constituição que ainda não foi nem totalmente regulamentada, por falta de condições para se cumprir suas cláusulas impossíveis. O investimento na Educação de nível superior gratuita para todos é o caminho. sem opinião
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O Lula foi infeliz em muitas ocasiões, mas diante do PM Britânico ele exagerou, ele insultou o branquelo de olho azul na cara, acho que ele escurregou na linguagem feio, deu a impressão de que era o Hugo Chavez barbudo falando as asneiras de sempre. Ora, seu Lula, por favor, não chute a bunda dos convidados, especialmente, de um PM britânico que sorriu amarelo como se não entendesse o que acabara de ouvir do interprete. 9 opiniões
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Saulo Mundim Lenza (415) 19/02/2009 20h06
Saulo Mundim Lenza (415) 19/02/2009 20h06
Lula o bonzinho mais uma vez afinou.
Alias o molusco afina sempre.
Só é machão para ferrar os brasileiros.
Palhaço idiota.
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Edivaldo Tavares (16) 31/05/2008 18h16
Edivaldo Tavares (16) 31/05/2008 18h16
Lula é um grande presidente.Político notável.O PT faz um grande trabalho.O Brasil ganha com isso. 26 opiniões
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AGUINALDO VENANCIO (1445) 31/05/2008 15h18
AGUINALDO VENANCIO (1445) 31/05/2008 15h18
EHH FHC,,,,
DEBELASTES O MOSTRO DA INFLAÇÃO COM SABEDORIA E COMPETÊNCIA...
SEMEATES O SOLO, PARA QUE OS QUE VIESSEM DEPOIS DE TI, PLANTASSEM COM A MESMA COMPETÊNCIA AS SEMENTES PARA QUE ,APROVEITANDO-SE DO CENÁRIO ECONOMICO INTERNACIONAL FAVORÁREL, ALACANCASSEMOS UM CRESCIMENO DIGNO COM AS OPORTUINIDADES...
MAS, ALEM DE NADA DISSO ACONTECER, ESTAO RESCUSSITANDO O MOSTRO DA INFLAÇÃO...
MAS OS ESCÂDALOS, A PTZADA ALOPRADA FOI MUITO COMPETENTE...
FAZER O QUE NE?
DA PRA COMPARAR???
QUE DESGRAÇA!
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José Cláudio Martins (106) 31/05/2008 11h37
José Cláudio Martins (106) 31/05/2008 11h37
Por que de agora em diante eu serei PSOL, mesmo sabendo que se um dia o partido subir ao poder será igual aos outros?
Por que chegamos num determinado ponto em que só o radicalismo poderá reduzir: as mordomias, as gastanças dos cartões corporativos, os auto-aumentos de salários, as milionárias verbas de campanha, os mensalões, os PACs eleitoreiros indiscriminados, os impostos e os juros absurdos, a destruição da Amazônia, o amor promíscuo de Lula com Hugo Chavez e Morales, as super-verbas de campanha, os cofres-cuecas dos professores de pós-doutorado do PC Farias e do Collor, os relatórios confidenciais governamentais usados como armas de intimidação, as barganhas de cargos públicos, dos conchavos entre partidos para votações tipo CPMF/CSS e mais outras centenas de absurdos.
Por que sou a favor da imprensa LIVRE?
Porque mesmo sabendo que existem jornalistas parciais, eles não chegam com toda força nas manchetes porque suas matérias passam pelo chefe de redação, editoria, conselho editorial etc. Porque existe a figura do ombudsman que pode ter as suas observações contestadas pela editoria, mas não pode ser calado.
Sou a favor das matérias investigativas, das denúncias e da preservação das fontes. Quem se sentir prejudicado que conteste e peça retratação ou ressarcimento judicialmente.
IMPRENSA LIVRE: Continue radical contra as bandalheiras do governo e da oposição. Invista no jornalismo investigativo porque as denúncias de falcatruas são a NOSSA SALVAÇÃO!
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