BBC Brasil
07/05/2008 - 09h08

Promotores interrogam pela primeira vez austríaco que prendeu filha

da BBC Brasil

Promotores austríacos estão interrogando pela primeira vez, nesta quarta-feira, o homem que admitiu manter a filha em um porão por 24 anos e ter sete filhos com ela.

Um porta-voz da promotoria confirmou que o interrogatório de Josef Fritzl está sendo realizado na prisão onde o acusado está detido, em St. Poelten, mas não deu outros detalhes.
Não está claro que Fritzl estaria respondendo às perguntas. Apesar de ter inicialmente confessado os crimes, ele tem permanecido em silêncio desde então.

Fritzl, de 73 anos, ainda não foi indiciado, mas os advogados de defesa já indicaram que pretendem alegar insanidade do acusado.

Polícia ingênua

O Parlamento austríaco deve debater o caso nesta quarta-feira. O ministro do Interior, Guenther Platter e a ministra da Justiça, Maria Berger, devem se pronunciar sobre o caso.

Berger disse ao jornal austríaco Der Standard que a polícia foi ingênua ao aceitar, em 1984, a versão de Josef Fritzl de que sua filha, Elisabeth, teria se juntado a uma seita.

"Olhando para tudo que sabemos até agora, eu posso ver uma certa ingenuidade, especialmente em relação ao fato de que ela teria se juntado a uma seita, que foi usado pelo suspeito para explicar o desaparecimento da filha", disse Berger ao jornal.

Foi a primeira vez que as autoridades austríacas admitiram falhas na investigação sobre o desaparecimento de Elisabeth.

Fritzl teve sete filhos com Elisabeth. Um morreu logo depois do nascimento, e três permaneceram presos no cativeiro com a mãe. Os outros três viviam com Fritzl e a mulher. Um deles havia sido legalmente adotado.

Berger também disse ser lamentável que Fritzl teria tido permissão para cuidar das crianças sem que as autoridades investigassem sua ficha criminal. Fritzl foi condenado e preso por estupro em 1967, mas a lei austríaca determina que informações sobre condenações cumpridas podem ser mantidas por apenas cinco anos.

"Nós gostaríamos que esse procedimento tivesse sido adotado apesar de as adoções teriam sido feitas por familiares", disse a ministra.

Comentários dos leitores
Ellen . (23) 11/06/2008 15h45
Ellen . (23) 11/06/2008 15h45
MARILIA / SP
O termo "casta advocatícia" realmente representa bem nossa triste realidade. É lamentável ver como a nossa democracia funciona: 90% dos brasileiros não sabem o que é Constituição. Os poucos que têm acesso, como os profissionais formados em direito, seguem dois caminhos: ou vão para a área burocrática do Estado, em busca de estabilidade profissional, ou seguem o caminho mercadológico, atuando em empresas ou particulares.
Imaginem que um cidadão nasce e morre sem ao menos ter conhecimento de seus direitos básicos??
A mídia?Bom, esta apenas condena o povo à ignorância eterna, com novelas, programas de auditório, etc.
Brasileiros, há manifestações nos quatro cantos do mundo!!Não estamos no fim da história, no mundo cada um por si, ganhe dinheiro, endivida-se, seja feliz comprando, enriqueça os bancos.
Você ganha pouco?se mata de trabalhar pra enriquecer o patrão?Não tem um sistema de saúde de qualidade?seu filho não tem acesso à educação de qualidade?Oras, o importa?Se posso comprar à prestação meu novo celular, uma geladeira nova, etc?
Essas "necessidades" tecnológicas dão a falsa idéia de satisfação pessoal.As novelas mostram um mundo irreal.
Resultado: viramos apenas consumidores e perdemos nosso papel enquanto cidadãos. Conseqüência?Perdemos nossos direitos, as injustiças aumentam, a política serve ao mercado e regredimos na história!
sem opinião
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porfirio sperandio (317) 11/06/2008 13h12
porfirio sperandio (317) 11/06/2008 13h12
BRAGANCA PAULISTA / SP
Nao e' que banalizou. Oras se isso se tornou uma pratica social, deixou de ser crime .
Foi extamanete isso que ouvi de um advogado ...
Deveriamos criar oque pra melhorarmos a casta advocaticia !? Ela e' responsavel por essas hipocrisia social.
sem opinião
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Ellen . (23) 10/06/2008 10h09
Ellen . (23) 10/06/2008 10h09
MARILIA / SP
Caros,
A mídia "descobre" um caso, entre centenas de casos. No Brasil há demasiados casos semelhantes dos quais nunca saberemos. Pais que abusam de filhos, crianças que sofrem das mais variadas violências.
No caso da Áustria, como citou Vera Lúcia, os filhos jamais tiveram acesso à escola, ao médico, ao dentista ao parque, ao zoológico.
Oras, pra quê tanta perplexidade?Aqui no Brasil há 50 mil casos de crianças que trabalham em condições análogas ao de escravos. Temos milhares de crianças que nunca tiveram acesso ao dentista, ao médico. Temos centenas de casos de crianças que nunca tiveram acesso à escola. Inclusive encontramos com elas muitas vezes nas ruas diariamente.
Bom, mas isso aqui virou banalizou demais e hoje já é algo "comum'.
É exatamente esta a intenção de nossa mídia brasileira.: provocar o "horror' com acontecimentos como esse e banalizar os casos mais graves, com maiores proporções, que paulatinamente destroem a sociedade brasileira.
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