China dialogará sobre Tibete, diz enviado do dalai-lama
MARINA WENTZEL
da BBC, em Hong Kong
A China deverá anunciar em breve uma data para retomar conversas formais com representantes do dalai-lama sobre a questão da autonomia do Tibete, afirmou nesta quinta-feira em Dharamsala, na Índia, o porta-voz do líder espiritual budista.
O encontro será a sétima rodada de negociações numa série que teve início em 2002 e foi interrompida em 2007. No último fim de semana, enviados do dalai-lama e autoridades chinesas se encontraram em Shenzhen, no sul da China, para dialogar.
Esse encontro, porém, foi informal e não faz parte das negociações oficiais, que estão suspensas desde o ano passado. "Um entendimento foi alcançado para dar continuidade às rodadas formais de discussão. Uma data para a sétima rodada será finalizada em breve após consultas mútuas", informou em uma declaração Lodi Gyari, o enviado do dalai-lama.
Compromisso
O enviado disse também que a China demonstrou estar disposta a "se comprometer" nas negociações por maior autonomia ao Tibete, entretanto ainda há "grandes diferenças sobre pontos chave", o que inviabiliza uma solução imediata.
Apesar das divergências, ambas partes "demonstraram vontade de buscar abordagens comuns", reforçou Lodi Gyari.
O lado budista revelou que pediu à China que liberte prisioneiros tibetanos e pare de promover "reeducação patriótica", o estudo forçado dos "valores" da China e, em casos extremos, o envio de condenados por crimes de "incitação das massas" ou "rebeldia" a campos de trabalhos forçados.
"Pedimos que libertem os prisioneiros, para que os feridos recebam tratamento médico apropriado", justificou Gyari.
Protestos
O encontro de domingo foi o primeiro entre representantes do dalai-lama e autoridades chinesas desde meados de março, quando uma onda de protestos violentos teve início no Tibete e se espalhou para outras regiões, deixando dezenas de mortos e feridos e centenas de manifestantes detidos por tempo indeterminado, segundo números do governo da China.
As razões por trás da inquietação são vistas de maneira diversa por chineses e tibetanos. Os chineses acusam o dalai-lama de ter arquitetado os protestos para causar confusão e promover o separatismo às vésperas dos Jogos Olímpicos.
Os partidários do líder budista, porém, negam envolvimento e defendem que se trata de "um sintoma claro das profundas mágoas e ressentimentos dos tibetanos" contra a dominação chinesa.
Segundo Lodi Gyari, essas opiniões divergentes foram "expressas de maneira franca e sincera" pelos dois lados durante as conversas em Shenzhen.
Disposição
Pequim mostrou disposição para dialogar com os representantes do lado tibetano após forte pressão da comunidade internacional, que criticou a ação de repressão aos protestos na capital da região, Lhasa.
O governo do Tibete no exílio afirma que 203 tibetanos foram mortos e cerca de mil ficaram feridos durante a onda de repressão.
A China refuta esses números e afirma que manifestantes tibetanos agrediram chineses da etnia han, matando 21 pessoas inocentes e causando prejuízos de milhões de iuans.
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