Situação no Líbano desperta temores de guerra civil
JIM MUIR
da BBC Brasil
Os combates em Beirute começaram minutos depois de o líder do Hizbollah, Hassan Nasrallah, aparecer na TV acusando o governo libanês de declarar guerra ao seu movimento --criado para resistir a Israel.
Ele disse que enquanto o governo não revogar a decisão, tomada na segunda-feira, de fechar a rede de comunicação do Hizbollah, a crise vai continuar.
O governo até agora tem se recusado a voltar atrás, mas o líder sunita Saad Hariri disse que a reação do Hezbollah foi fruto de um "mal-entendido" e ofereceu a realização imediata de negociações para resolver a situação.
Ele fez um apelo a Nasrallah, pedindo que ele aceitasse a oferta para "salvar o Líbano do inferno".
Mas o canal de TV do Hizbollah disse que a oferta foi rejeitada e que a única solução aceitável seria o recuo do governo.
O fato é que, com os combates se espalhando pelas ruas da capital, muito temem estar presenciando o início de uma nova guerra civil no país.
O Exército libanês alertou que sua própria unidade poderia estar em risco, caso não haja um entendimento entre as partes envolvidas na crise.
Para muitos, a unidade do Exército é a única esperança de manter o país unido.
Durante os 15 anos da guerra civil que começou em 1975, o Exército se dividiu entre os lados envolvidos.
Essa nova crise culmina uma série de episódios tensos que vinham se escalando nos últimos 18 meses --e que foram contidos graças à cooperação entre a Arábia Saudita e o Irã.
Os sauditas são próximos aos sunitas e ao governo em Beirute, e o Irã aos xiitas e ao Hizbollah.
Mas as relações entre os dois países parecem estar passando por um momento delicado, e até agora não houve sinais de uma eventual intervenção deles para acalmar a situação no Líbano.
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