Palestinos lançam chave gigante para marcar luta por terra
RODRIGO DURÃO COELHO
da BBC Brasil, na Cisjordânia
Uma enorme chave de metal exibida na cidade de Belém, na Cisjordânia, é um dos pontos altos dos eventos que neste ano marcam os 60 anos de "nakba", ou "tragédia", como os palestinos chamam a criação de Israel e a expulsão de suas terras.
A chave, com dez metros de comprimento e duas toneladas, tornou-se um símbolo da determinação palestina de recuperar a terra perdida.
Os organizadores acreditam que, pelo peso e o tamanho, essa seria a maior chave do mundo.
"Esperamos entrar no livro Guinness de recordes", afirma Munther Ameera, diretor do centro para jovens do campo de refugiados de Aida, onde está localizada a chave.
"Desejamos que (a chave) ajude a chamar a atenção internacional e aumente a conscientização para o problema dos refugiados palestinos", diz ele.
Resistência
Muitos dos que foram expulsos de suas vilas e casas ainda guardam as chaves de suas portas como uma relíquia de família.
"Gostaria de deixar mais para meus filhos e netos, mas tenho apenas essa chave", afirma Abu Yussef, morador do campo de refugiados de Al Jalazone.
"Mas sei que eles não vão desistir de nossa terra", diz ele.
Eventos
Na última quinta-feira (8), dia em que Israel comemorou seus 60 anos, cerca de 700 pessoas marcharam de outros campos de refugiados até Aida.
A marcha e os discursos que se seguiram fizeram parte dos eventos para marcar o "nakba" palestino.
Nesta quinta-feira, cerca de 20 mil balões negros devem ser soltos na Cisjordânia. A expectativa dos organizadores é que os ventos os levem para Jerusalém.
Pelas ruas de Ramallah, onde fica a sede da Autoridade Palestina, muitas bandeiras palestinas e negras (especiais para os 60 anos de Nakba) e cartazes com os nomes de mais de 500 vilas destruídas lembram que essa é uma época especial.
Eventos em outros países também estão marcando a data.
Nesta quinta-feira estão previstas manifestações, conferências, festivais artísticos e minutos de silêncio no Chile, Indonésia e Canadá, além de atividades na maioria dos campos de refugiados palestinos em Gaza, na Cisjordânia, Líbano, Jordânia e Egito.
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