Governo e Hizbollah chegam a acordo no Líbano
TARIQ SALEH
da BBC Brasil, em Beirute
A delegação da Liga Árabe anunciou nesta quinta-feira que um acordo foi alcançado entre o governo libanês e a oposição liderada pelo Hizbollah para encerrar a crise que levou o Líbano à beira de uma guerra civil.
Segundo Hamad bin Jassim bin Jabr Al Thani, ministro das Relações Exteriores do Qatar --que chefiou a delegação árabe-- as partes concordaram em continuar o diálogo na capital do Qatar, Doha.
O Líbano enfrenta uma crise política que se arrasta há 18 meses e está sem presidente desde novembro de 2007, quando Emile Lahoud, que é a favor da Síria, deixou o cargo. Desde então o país não conseguem eleger um sucessor.
Segundo Al Thani, as partes se comprometeram a voltar ao diálogo e discutir a eleição do novo presidente do país, novas leis eleitorais para 2009 e a formação de um novo governo de unidade nacional.
"Não há vencedores neste conflito", disse Al Thani. "Precisamos ajudar o Líbano a solucionar a crise, e nós continuaremos pressionando por uma resolução".
Armas
Após a divulgação do acordo, o Hizbollah anunciou que estava encerrando a desobediência civil e desbloqueando estradas e avenidas da capital Beirute.
O acesso ao aeroporto internacional também foi liberado, com os fluxo de vôos voltando à normalidade.
Segundo analistas, ainda é cedo para dizer se a crise política no país terminou, pois a questão das armas do Hizbollah ainda está fora da mesa de negociações.
O Hizbollah já havia dito que qualquer acordo não incluirá suas armas, e membros do movimento governista 14 de Março condicionaram o diálogo à discussão dos armamentos do grupo xiita.
Há um certo pessimismo entre analistas sobre a possibilidade de um novo conflito.
Conflito
A recente crise começou quando o governo aprovou duas medidas que previam uma investigação da rede de telecomunicações do Hizbollah e a exoneração do chefe de segurança do aeroporto de Beirute porque ele seria simpatizante do grupo xiita.
As medidas provocaram a ira do Hizbollah, que respondeu com protestos por Beirute e outros pontos do país e que logo enveredaram para a violência, em batalhas entre milícias pró e anti-governo, em que o grupo xiita (e seus aliados) derrotou as forças governistas, ocupando todo oeste de Beirute.
Combates pesados entre as duas facções na capital Beirute, em Trípoli, no norte, nas montanhas e em outras cidades do leste do país levaram vários estrangeiros e libaneses a deixarem o país.
Beirute oeste chegou a ser ocupada pelo Hizbollah e aliados por dois dias, se retirando depois a pedido do Exército.
A onda de violência, que durou seis dias, deixou ao menos 65 mortos e 200 feridos, na pior crise interna do Líbano desde o fim da última guerra civil (1975-1990).
O Exército libanês posicionou tropas e blindados em diversas regiões do Líbano para tentar garantir a segurança da população civil.
O governo do Líbano acabou voltando atrás na quarta-feira, revogando oficialmente as duas medidas contrárias ao Hizbollah como forma de abrir o caminho para negociações e acalmar a crise.
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