Ruralistas argentinos mantêm protesto contra governo
MARCIA CARMO
da BBC Brasil, em Buenos Aires
Os produtores rurais da Argentina anunciaram, nesta quinta-feira, que vão manter, pelo menos até a próxima quarta-feira, o protesto contra o governo.
Até lá, continuarão suspensas todas as exportações de grãos - iniciativa que eles adotaram há uma semana, na quinta-feira, dia 8.
Os ruralistas querem a anulação do último aumento de impostos às exportações --principalmente de soja-- anunciado pelo governo em março passado.
"Nós queremos medidas concretas, como o cancelamento deste ajuste que só prejudica o setor agrário", disse Eduardo Buzzi, da Federação Agrária Argentina, durante entrevista nesta quinta-feira ao lado de outros líderes agropecuários.
Inicialmente, quando foi anunciado na semana passada, o protesto terminaria nesta quinta-feira. Esse é mais um capítulo de uma disputa que começou há dois meses e levou pequenos, médios e grandes produtores a uma paralisação que durou 21 dias.
Na ocasião, o bloqueio de estradas em diferentes pontos do país provocou desabastecimento nos supermercados e panelaços nas grandes cidades em apoio aos ruralistas.
Na semana passada, após uma trégua de trinta dias, eles decidiram protestar novamente, mas sem bloquear o tráfego.
Panelaços e tratoraços
A nova modalidade de manifestação inclui ainda tratoraços nas regiões de produção agropecuária.
No último domingo, eleitores dos bairros de classe alta de Buenos Aires, como Recoleta, e média, como Palermo, realizaram novo panelaço em apoio aos ruralistas.
Na quarta-feira, a presidente Cristina Kirchner fez um discurso, que foi classificado pela imprensa argentina, de conter um "tom conciliador", ao sugerir um diálogo, mesmo sem ela ter citado, diretamente, o protesto dos ruralistas.
Nesta quinta-feira, além de anunciar a continuidade do protesto, os líderes ruralistas pediram "encontro urgente" com a presidente.
Os ruralistas pedem uma "nova política agropecuária" que assim como o fim do novo imposto às exportações inclua também a retomada, sem restrições, das vendas externas de grãos --inclusive o trigo, o que interessa ao mercado brasileiro --e de carne da Argentina.
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