BBC Brasil
21/05/2008 - 07h22

Práticas ruins mancham indústria brasileira do álcool, diz jornal

da BBC Brasil

As más condições de trabalho para os cortadores de cana e o impacto ambiental das plantações estão "manchando" a indústria brasileira do álcool, segundo análise publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico "Financial Times" ("FT").

O artigo destaca que a maior parte da cana ainda é colhida a mão, com facões, que não mudaram muito desde que foram criados. "Os intervalos para beber água são curtos e a comida é pouca e não-apetitosa", diz o jornal.

"Essas condições provocaram uma série de críticas da União Européia de que o Brasil, o maior exportador mundial de álcool, é um ninho de práticas ruins de trabalho e ligadas ao meio ambiente."

Segundo a análise, as críticas e a tarifa de US$ 0,29 por litro imposta pela União Européia ao álcool brasileiro prejudicam a indústria que o Brasil tenta promover como a alternativa "verde" aos combustíveis fósseis.

Recentemente, o comissário ambiental da EU disse que as cotas de álcool planejadas pelo bloco devem levar em consideração "preocupações sociais e ambientais". Em resposta, o governo brasileiro ameaçou entrar com ação na OMC (Organização Mundial do Comércio).

"Os brasileiros afirmam que as críticas sobre as práticas de produção do país são, freqüentemente, uma tentativa mal disfarçada de proteger a indústria doméstica", afirma o "FT", citando o ex-presidente do fórum Mercosul-UE, o brasileiro Ingo Plöger, que pergunta: "Quais são as preocupações sociais e ambientais impostas pela UE a atuais fornecedores de energia, como a Nigéria, a Venezuela, o Irã e o Iraque?"

O jornal afirma, no entanto, que o governo brasileiro está disposto a negociar com a UE e, em parte como resultado das críticas, o Estado de São Paulo --que responde por quase 80% da produção nacional-- está adotando leis para melhorar as condições e eliminar o corte manual dentro dos próximos quatro anos.

"A mecanização, no entanto, não é bem-vinda pela maioria dos 300 mil trabalhadores da cana, para quem ela representa uma limitação no poder de negociação salarial e perspectivas de desemprego em breve", diz o "FT".

Segundo o jornal, esses trabalhadores, normalmente, têm pouca educação e poucas chances de conseguir outros empregos.

O jornal lembra que a decisão também poderá prejudicar os Estados do Maranhão e Piauí, que recebem o dinheiro enviado por trabalhadores sazonais da colheita.

Minimizar o impacto ambiental, outra fonte de críticas internacionais, também é visto com controvérsia, afirma o "FT".

Ambientalistas temem que a expansão da cultura da cana "empurre" outras culturas para regiões "sensíveis", mas o governo diz que "está combatendo essas preocupações com medidas como um decreto proibindo a plantação em áreas da Amazônia e no Pantanal".

"Ainda há bastante espaço para a expansão", afirma o jornal. "O Brasil tem cerca de 7 milhões de hectares de terra com cana plantada, dos quais 3 milhões são usados para o álcool, em comparação com 200 milhões de hectares de pasto, cerca de 21 milhões de hectares de soja e 14 milhões de hectares de milho."

Mas apesar de a cultura da cana ter tido pouco impacto ambiental até agora no Brasil, o jornal afirma que a comunidade internacional está esperando para ver o quão bem sucedido será o governo nos esforços para impedir que a produção cause danos ecológicos.

Comentários dos leitores
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
É o preço que países como o Brasil, por ser excencialmente agricola, têm que pagar. Seus produtos são negociados no mercado de "commodites" onde só os fortes interesses conseguem manejá-lo sem opinião
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Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
O povo tem que parar de fazer filho. O Brasil está atrasando em 100 anos sua entrada no 1o. mundo pq os pobres fazem 5 filhos por casal enquanto a classe média faz 1. Resultado: A juventude do Brasil não estuda. O pior é que o Estado faz de conta que não acontece nada.
A pobreza é um problema cultural, e é difícil o Estado resolver. É muito difícil mudar a cabeça de uma pessoa. Os pais não estudaram, os filhos não estudam e os netos também não vão estudar. Apenas uma pequeníssima parcela estuda e ascende socialmente.
Solução de longo prazo para o Brasil: Esterilização compulsória quando a mulher dá a luz ao segundo filho na rede pública de saúde e mutirões de vasectomia. Isso vai se refletir daqui 20 anos na segurança pública, nos índices de escolaridade, na diminuição da pressão sobre os serviços públicos (postos de saúde, creches).
Coragem pra dizer e fazer isso? Ninguém tem.
sem opinião
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micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
As verdadeiras causas das mudanças climática são muitas dentre elas destaco : o consumismo que para atende-lo precisamos explorar cada vez mais isto é retirar sempre que a demanda o exigir; o grande crescimento da população que para sobreviver precisa cada vez mais de espaço e alimento e não havendo controle da natalidade acabaremos consumindo tudo como um gafanhoto; o petroléo é nossa pricipal fonte energetica e precisamos depender cada vez menos do petroléo e não adianta sair culpando os carteis do petroléo, pois nos é quem somos dependêntes, quero ver você poder ir trabalhar, viajar se locomover sem seu carro. Temos sim que encontrar outras fontes energeticas pouco poluentes porque não existe fontes de energia não poluentes, pois onde tiver a existência do ser humano haverá poluição. Somos a unica espécie que não esta em equilibrio, pois os animais alimentam-se uns dos outros, quer dizer que um morre para o outro sobreviver e na nossa espécie alimentamos de quase tudo e todos e não temos predadores. A unica forma de viver sem poluir é larga a mordomia da civilização mordena e vivermos como os indios, quem se habilita?
A culpa das mudanças climáticas são de todos e a unica forma de isso acabar é eliminando os seres humanos.
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