BBC Brasil
21/05/2008 - 08h55

Análise: O tom dos números

LUCAS MENDES
da BBC Brasil

Barack Obama tem os números: mais da metade dos delegados convencionais, mais vitórias em primárias e "caucus", mais vitórias em Estados.

Ela tem um argumento. Com os votos dos Estados de Michigan e Flórida, até agora banidos porque anteciparam as datas das primárias, ela teria maioria do voto popular e estaria eleita numa eleição nacional com 300 votos no colégio eleitoral. São necessários 270 para ser presidente. Obama não tem este número.

Argumento forte, mas o partido democrata corre o risco de perder a eleição se seu candidato for escolhido apenas na convenção em Denver e Hillary Clinton receber a indicação do partido. E também corre o risco de perder se indicar um candidato que não consegue a maioria do voto branco nem das mulheres nem dos velhos. Uma enrascada.

O contra-argumento é que os números não são imóveis e Obama, com apoio de Hillary, será capaz de conquistar os votos de Estados decisivos como Ohio, Pensilvânia, Virgínia Ocidental, Flórida, Kentucky e Michigan.

O senador vai vencer porque é o candidato que inspira mudanças. Que mudanças? Ele acabou de votar a favor dos subsídios para fazendeiros, uma lei deficitária e retrógrada. McCain votou contra e o veto de George Bush não será suficiente para derrubar a aprovação da Câmara e do Senado. Uma lei que vai custar US$ 30 bilhões ao contribuinte americano, vários países pobres e emergentes, entre eles o Brasil.

A renda dos fazendeiros americanos cresceu 56% nos últimos dois anos. Vão bem, obrigado, mas os subsídios vão sustentar plantadores de todos os tipos de culturas. Entre os mais beneficiados serão os açucareiros. O governo vai comprar açúcar pelo dobro do preço do mercado e revender com um prejuízo de 80%. Os preços de alimentos vão subir e aumentar a fome na África.

Os candidatos democratas recebem hoje 60% das contribuições dos lobistas, entre eles da indústria de energia, que conquistaram inclusive o voto de Barack Obama.

O senador McCain, que também faz uma campanha como candidato contra Washington e favor de mudanças, em especial contra as leis que favorecem os lobistas, está atolado até o pescoço na grana deles. Um dos principais chefes da campanha de McCain, Rick Davis, era um lobista que parou de defender interesses de empresas, a maioria estrangeira, há dois anos, para trabalhar para McCain.

Ente outras conexões suspeitas, ele armou um encontro, na Suíça, do senador com Oleg Derispaska, um empresário russo proibido de entrar nos Estados Unidos por causa de suas relações com o crime organizado na Rússia.

Pelo menos quatro dos principais dirigentes da campanha do senador faziam lobby para empresas e países estrangeiros, entre eles, Arábia Saudita, Albânia, Macedônia, Croácia, Taiwan e outros.

A senadora também não é pura. As conexões do marido, que poderia ser chamado de lobista, inclusive de empresas brasileiras, podem ser comprometedoras, mas continuam enrustidas e ela está com uma dívida de mais de vinte milhões de dólares.

O cenário é sombrio para todos os candidatos. Entre 2000 e 2006, a economia do país cresceu 15% mas a pobreza aumentou, a renda das famílias diminuiu, os preços de produtos essenciais aumentaram acima da média. Os muito ricos ficaram mais ricos. O custo das guerras no Iraque e Afeganistão entra nos trilhões.

A vitória decisiva da senadora em Kentucky e a do senador Obama no Oregon não mudam o cenário da campanha, embora ele tenha atingido um número simbólico: mais da metade dos votos dos delegados convencionais.

A novidade é o tom dos candidatos democratas: nenhum ataque dos dois adversários nos últimos comícios nem nos discursos depois das vitórias da terça-feira. O partido sairá unido. O fogo é no republicano.

Barack Obama está convencido de que será o candidato. A senadora promete que vai lutar até o fim, mas o tom dela é cada dia mais conciliatório e acomodado com a derrota em 2008. Atrás dos bastidores, fala-se num acordo para cobrir as dívidas de campanha da senadora, o que não seria novidade numa eleição americana.

Cada dia tudo fica mais como antigamente. Vamos começar a falar sobre 2012.

Comentários dos leitores
Eduardo Velasco (155) 06/09/2008 09h37
Eduardo Velasco (155) 06/09/2008 09h37
Não estou nem aí se o Luiz entende ou diferencia uma coisa da outra. Mas a resposta do outro realmente aponta para uma tremenda falta de lógica argumentativa.
Vejam, a premissa foi: Autodeterminação dos povos [que o Luiz não tratou do assunto, mas que o missivista rapidinho resolver ler "dentro" do texto do outro. Realmente está na CF/88: Art. 4º, III, CF/88 a tal da 'autodeterminação', mas não passa de zurrada constitucional eqüina].
Depois, uma outra premissa menor que não guarda nenhuma relação com a maior [anterior], e a conclusão ilógica [espúria]: "Por isso os Republicanos...".
Assim fica fácil: eu junto abóbora com melancia e digo que as duas são a mesma coisa porque o colorido interno de ambas são semelhantes!
Tertulia Flacida ad Bovinum Adormentare
(conversa pra boi dormir!)
Eduardo Velasco
Natal/RN
sem opinião
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Luiz Castro (17) 05/09/2008 23h04
Luiz Castro (17) 05/09/2008 23h04
Se por um lado úma vitória republicana trás tudo que estamos vendo com Bush e mais um pouco, uma vitória democrata não é sinal de que a vida vai ser melhor abaixo do rio grande. Se vão acabar com a guerra, também vão aumentar o protecionísmo com relação ao comércio, ou seja, querem vender tudo pra todo mundo mas não querem comprar nada, e quem for competitivo como os brasileiros produtores de camarão que aguardem mais subsídios para os produtores americanos. Os filhos de tio sam dão muito valor a quem não se curva a eles, que os enfrenta, quem não abaixa a cabeça. Convivendo nesse país por alguns anos vejo como eles agem. Hoje em dia a moda é se ter um filho adotado no Vietnan, se casar com orientais, principalmente mulheres oriundas dessas regiões onde os americanos foram postos pra correr. Nesse momento os soldados se envolvem com as iraquianas, trazem para a américa e muitos se convertem ao islamismo. Se é dor na conciência não sabemos, mas com certeza em alguns anos a integração entre estes países será muito maior que com os latinos, que dizem amém a tudo vindo do norte. A nossa região com todo seu potêncial energético e riquezas de toda ordem tem nas mãos a chave para abrir o caminho do progresso, o que precisamos é levantar a cabeça e olhar o primeiro mundo nos olhos, sem medo e dispostos a morrer por nosso país. A força americana reside no prazer de servir à pátria, mesmo que por causas injustas como o Iraque. Nosso chão merece esse sacrifício. sem opinião
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Leon Diniz Diniz (17) 05/09/2008 17h28
Leon Diniz Diniz (17) 05/09/2008 17h28
Quero congratular-me com LUIZ CASTRO E CÉLIO RODRIGUES, pela importância dos seus texto nesta tribuna. Agradeço também a IGMAR TRINDADE pela oportunidade que dá à estudiosos como eu de buscar um pouco mais de conhecimento. Igmar aproveitei a sugestão que fez a outra pessoa nesta tribuna para que entrasse no GOOGLE ZEITGEIST Também entrei, confesso que fiquei impressionado com as informações alí contidas. Obrigado de coração pela oportunidade.
Sr. Mac Cain copiar não é feio desde que se de o crédito a fonte. Mundança, até onde sei é mote de campanha do Senador Obama. O lema "ir para Wasghiton para refomar o país" também é de Obama. Por favor ponha a criatividade para funcionar e traga algo novo para deleite dos seus apoiadores. A América já teve um filho imitando o pai na presidência, e olha no que deu: A nação além de cair no atoleiro econômico, tem hoje boa parte do mundo odiando os EUA e sua máquina de fabricar guerras.
Enquanto Obama elogia o passado de Mac Cain. o general agride Obama com palavras impróprias e ao mesmo tempo tenta copia-lo sonhando alcançar a popularidade do Senador democrata. É por isso que o povo americano está mais simpático ao democrata que é original, do que à qualquer genérico de ocasião.
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