Dalai-lama diz que "a China está mudando"
da BBC Brasil
O líder espiritual budista dalai-lama disse acreditar que a China está atravessando um período de mudanças que pode levar a uma atitude mais "transparente" com relação ao Tibete.
Em entrevista à BBC nesta quinta-feira, o líder religioso citou a reação chinesa ao terremoto na Província de Sichuan como um dos indícios da mudança.
Segundo dalai-lama, a transformação a que se refere estaria acontecendo através de um "contato mais amplo [da China] com o mundo exterior".
"Acho que isso é um sinal de que a República Popular da China está mudando, pelo menos de década em década. Espero que isso reflita em uma atitude mais transparente em outras questões, incluindo a do Tibete", disse.
Em uma viagem de dez dias por Londres, o dalai-lama afirmou que está "otimista" com relação ao futuro.
Meio-termo
Durante a entrevista, o líder budista ressaltou que defende um "meio-termo" para a autonomia do Tibete.
"A defesa e as relações exteriores deveriam ser de responsabilidade do governo central, mas o restante dos negócios --a educação, ambiente, o trabalho religioso-- todos esses deveriam ser de responsabilidade dos tibetanos", afirmou.
O governo chinês acusa o dalai-lama de estar por trás dos protestos anti-China que começaram no dia 10 de março em Lhasa, a principal cidade tibetana, e que terminaram em conflitos violentos.
O líder nega que tenha incitado as manifestações e reforça com freqüência que não busca a independência da China.
"Nós não queremos separação", disse o líder à BBC. Ele ressaltou ainda que permanecer unidos é do interesse da China e do Tibete.
"Em breve teremos que conversar com o governo chinês para que a discussão sobre a independência e a separação esteja fora de questão", afirmou.
Apesar da posição de aproximação, o dalai-lama não nega que há oposição interna entre aqueles que pretendem seguir uma postura mais rígida com relação ao governo chinês. Segundo ele, as posições contrárias e a crítica são "bem-vindas".
No entanto, ele alerta que quanto mais as melhorias no Tibete demorarem a acontecer, maior será a frustração na província, o que tornaria ainda mais difícil controlar as posições contrárias a uma aproximação com a China.
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