Protestos contra alta de combustível se espalham pela Europa
da BBC Brasil
Uma onda de protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis está se espalhando por países da Europa com greves no setor de pesca e uma série de manifestações.
Em Portugal, os pescadores cruzaram os braços nesta sexta-feira, paralisando toda a frota pesqueira do país.
Na Espanha, o maior produtor de peixes da Europa, milhares de pescadores foram até o Ministério da Agricultura em Madri, onde entregaram 20 toneladas de peixe fresco para o público, para tentar chamar atenção para os problemas do setor.
Pescadores na Itália e Bélgica também realizaram protestos semelhantes.
Reino Unido e Holanda foram palco de protestos de caminhoneiros nesta semana, e na França o governo teve que enviar tropas de choque para expulsar manifestantes que tentaram bloquear o acesso a depósitos de combustíveis.
Custo
Sindicatos europeus afirmam que o custo do óleo diesel está muito alto, obrigando vários pescadores a desistir da profissão.
Segundo os sindicatos, o combustível sofreu um aumento de mais de 300% nos últimos cinco anos enquanto o preço do peixe no atacado permaneceu estável nos últimos 20 anos.
A Comissão Européia prometeu ajuda imediata para reestruturar a indústria pesqueira do continente, mas alertou que o uso desses subsídios para bancar o preço do combustível seria ilegal.
Pescadores da França já estavam protestando havia semanas. Alguns voltaram ao trabalho, depois que as autoridades do país lançaram um pacote de ajuda ao setor de 100 milhões de euros.
Durante a madrugada de quinta-feira a tropa de choque da polícia francesa retirou manifestantes de depósitos de petróleo de Fos-sur-Mer e Lavera. Centenas de agricultores estão bloqueando terminais de petróleo perto de cidades como Dijon e Toulouse.
Portugal e Bélgica também devem iniciar os protestos nesta sexta-feira. Em Portugal, nenhum barco saiu dos três maiores portos pesqueiros do país, Peniche, Figueira da Foz e Setúbal.
Caminhoneiros da Holanda e Reino Unido fizeram manifestações semelhantes no início da semana.
Motoristas de ônibus na Bulgária também planejaram uma greve de uma hora nesta sexta-feira, depois dos protestos dos caminhoneiros do país na quarta-feira (28).
Centenas de pescadores italianos se juntaram à greve contra o aumento do preço dos combustíveis.
Mas, de acordo com o correspondente da BBC em Roma David Willey, a indústria pesqueira italiana é fragmentada e tem pouca influência política, com uma frota pesqueira de apenas 14 mil barcos, a maioria de pequeno porte.
O principal sindicato pesqueiro italiano, o Federcoopesca, afirmou que pelo menos cinco mil pescadores devem participar da greve. Mas o governo já recusou qualquer tipo de ajuda à categoria.
Os protestos refletem a insatisfação frente ao aumento do custo dos combustíveis, já que o preço do barril de petróleo nos mercados internacionais ultrapassou os US$ 130.
Leia mais
- Consumo na China, Índia e Rússia afeta demanda mundial de alimentos
- Pedir fim do álcool do Brasil é irresponsável, diz relator da ONU
- Produtores de leite alemães fazem boicote para aumentar preço
- Crise dos alimentos pesa mais sobre 22 países, diz ONU
- União Européia anuncia mudanças em ajuda a países pobres
- Governo anuncia renegociação de R$ 75 bilhões de dívidas agrícolas
- Alta dos alimentos deve mudar formas de combater pobreza mundial, diz ONU
Livraria da Folha
- Coleção "Biblioteca Valor" explica principais conceitos de economia
- Entenda transgênicos, doenças em animais, agrotóxicos e outras questões sobre alimentos
- Conheça fontes de energia renovável, como biocombustíveis, em livro da série "Mais Ciência"
Especial
| Comentários dos leitores |
|
|||||
|
|||||
|
|||||
| Comente esta reportagem | Veja todos os comentários (360) | ||||
| Termos e condições | |||||
Ocultar
Exibir




avalie fechar
Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
avalie fechar
avalie fechar