Alta nos alimentos estimula venda de carne ilegal no Egito
RODRIGO DURÃO COELHO
da BBC Brasil no Egito
A alta dos preços dos alimentos no Egito está provocando o aumento do número de casos de venda ilegal de carne de jumento, cachorro e porco nas áreas mais pobres da capital, Cairo, segundo informou a polícia.
Com a crescente demanda por carne mais barata, muitos comerciantes estão vendendo a carne desses animais como se fosse de vaca ou de carneiro.
O juiz Farid Nasr, chefe da corte criminal do Cairo, pediu penalidades mais severas, incluindo a pena de morte, para coibir este tipo de crimes. Atualmente, os condenados podem ser sentenciados a até dez anos de prisão.
A reitora da Universidade de Ain Shams, Suhair Abdel-Aziz, também pediu para que a pena de morte seja aplicada nestes casos.
Religião
Um dos casos que mais chamou a atenção no país foi o de dois homens acusados de colocar à venda a carne de animais como cães, jumentos, ovelhas e búfalos como se fosse de vaca.
Eles confessaram que, para disfarçar o odor, misturavam a carne com uma série de temperos.
Outro açougueiro foi detido no Cairo com grandes quantidades de carne de jumento, que eram vendidas como sendo carne de carneiro. Um desempregado também foi preso após levantar suspeitas por causa do baixo preço da carne que vendia.
Além de possíveis riscos para a saúde, a comercialização de carne ilegal viola leis religiosas no Egito.
A religião muçulmana proíbe o consumo de carne de animais que também consomem carne, como o porco e o jumento.
Com mais da metade de sua população vivendo abaixo ou nas proximidades da linha da pobreza, o Egito é considerado um dos países mais afetados pela recente alta internacional dos preços dos alimentos.
De acordo com dados do governo, nos últimos seis meses o preço dos alimentou subiu 50%.
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