BBC Brasil
05/06/2008 - 07h50

Discussão sobre álcool expôs más condições em canaviais, diz "Guardian"

da BBC Brasil

O destaque dado ao álcool na discussão travada sobre vantagens e desvantagens dos biocombustíveis expôs as condições de trabalho dos cortadores de cana no Brasil e forçou mudanças no setor canavieiro, afirma uma reportagem publicada na edição desta quinta-feira do jornal britânico "The Guardian".

"As condições de trabalho dos cortadores de cana eram raramente observadas quando a mercadoria exportada era o açúcar, mas isso mudou agora que o Brasil é o segundo maior exportador mundial de álcool à base de cana", diz o texto.

Intitulado "O sol se põe sobre os cortadores de cana brasileiros", o texto destaca a mecanização dos canaviais imposta pelos países desenvolvidos, que estão focados na produção brasileira de biocombustível.

Segundo a reportagem, a substituição do trabalho manual deixaria cerca de 500 mil cortadores de cana sem emprego.

"Meio milhão de empregos e cinco séculos de tradição serão eliminados da crescente indústria de cana-de-açúcar brasileira para satisfazer a demanda ocidental por práticas de trabalho mais justas no setor dos biocombustíveis", diz a reportagem.

"Contos"

Segundo o texto, o interesse em eliminar a prática dos cortadores de cana esconde ainda mais um "conto" sobre a exploração nos canaviais que já prejudicou a imagem do Brasil em importantes países importadores de biocombustíveis, como a Suécia e o Reino Unido.

A reportagem destaca o crescimento da produção de álcool no Brasil em 2007, "com um recorde de 22 bilhões de litros, dos quais 4 bilhões foram exportados".

No entanto, o texto afirma que o "sonho" de aumentar a indústria para exportação de biocombustíveis pode ser ameaçado pelos argumentos dos críticos, que vão além dos "contos" sobre a exploração nos canaviais.

"Esse sonho está ameaçado, pois o setor dos biocombustíveis está atolado de argumentos como 'a comida pelo combustível' e a idéia de que o aumento no preço dos alimentos pode ser atribuído ao uso da terra para plantação de grãos", afirma a reportagem.

Críticas

A matéria do "Guardian" cita ainda outras críticas à produção de biocombustíveis no Brasil, como os danos ao meio ambiente provocados pelo trabalho manual na lavoura de cana-de-açúcar.

O texto cita também as preocupações com o desmatamento de algumas áreas da bacia Amazônica.

A reportagem cita alguns argumentos de Marcos Jank, presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), para rebater as críticas à produção brasileira de álcool.

Ele afirma que os subsídios aos agricultores e biocombustíveis nos Estados Unidos e Europa pode ser a causa do aumento nos preços dos alimentos. Segundo ele, o Brasil não estaria contribuindo para essa crise já que apenas 1% de terra arável é usada na produção de álcool.

A reportagem destaca ainda que Jank "é enfático em afirmar que o aumento na produção de álcool não está afetando a Amazônia, indicando que a área seria muito úmida para plantação de açúcar".

Comentários dos leitores
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
É o preço que países como o Brasil, por ser excencialmente agricola, têm que pagar. Seus produtos são negociados no mercado de "commodites" onde só os fortes interesses conseguem manejá-lo sem opinião
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Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
O povo tem que parar de fazer filho. O Brasil está atrasando em 100 anos sua entrada no 1o. mundo pq os pobres fazem 5 filhos por casal enquanto a classe média faz 1. Resultado: A juventude do Brasil não estuda. O pior é que o Estado faz de conta que não acontece nada.
A pobreza é um problema cultural, e é difícil o Estado resolver. É muito difícil mudar a cabeça de uma pessoa. Os pais não estudaram, os filhos não estudam e os netos também não vão estudar. Apenas uma pequeníssima parcela estuda e ascende socialmente.
Solução de longo prazo para o Brasil: Esterilização compulsória quando a mulher dá a luz ao segundo filho na rede pública de saúde e mutirões de vasectomia. Isso vai se refletir daqui 20 anos na segurança pública, nos índices de escolaridade, na diminuição da pressão sobre os serviços públicos (postos de saúde, creches).
Coragem pra dizer e fazer isso? Ninguém tem.
sem opinião
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micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
As verdadeiras causas das mudanças climática são muitas dentre elas destaco : o consumismo que para atende-lo precisamos explorar cada vez mais isto é retirar sempre que a demanda o exigir; o grande crescimento da população que para sobreviver precisa cada vez mais de espaço e alimento e não havendo controle da natalidade acabaremos consumindo tudo como um gafanhoto; o petroléo é nossa pricipal fonte energetica e precisamos depender cada vez menos do petroléo e não adianta sair culpando os carteis do petroléo, pois nos é quem somos dependêntes, quero ver você poder ir trabalhar, viajar se locomover sem seu carro. Temos sim que encontrar outras fontes energeticas pouco poluentes porque não existe fontes de energia não poluentes, pois onde tiver a existência do ser humano haverá poluição. Somos a unica espécie que não esta em equilibrio, pois os animais alimentam-se uns dos outros, quer dizer que um morre para o outro sobreviver e na nossa espécie alimentamos de quase tudo e todos e não temos predadores. A unica forma de viver sem poluir é larga a mordomia da civilização mordena e vivermos como os indios, quem se habilita?
A culpa das mudanças climáticas são de todos e a unica forma de isso acabar é eliminando os seres humanos.
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