BBC Brasil
05/06/2008 - 14h51

Impasses e acusações adiam texto final da FAO

ASSIMINA VLAHOU
da BBC Brasil, em Roma

Impasses em relação aos biocombustíveis e outros pontos polêmicos, como os subsídios agrícolas, levaram a um adiamento da declaração final da conferência da FAO (o órgão de alimentação e agricultura da ONU) em Roma, que está prevista para esta quinta-feira.

Um dos problemas seria como o documento vai tratar a produção mundial do etanol. Segundo um diplomata europeu ouvido pela BBC, o Brasil e outros países latino-americanos estariam se negando a assinar o documento enquanto ele apresentar de forma negativa os biocombustíveis.

"Todo o grupo latino-americano está fazendo isso ficar muito complicado", afirmou essa fonte. "O Brasil talvez esteja por trás de tudo. Eles estão tão preocupados com a possibilidade de que os biocombustíveis sejam transformados em um demônio que, em vez de ter um documento que seja ambíguo em relação aos biocombustíveis, preferem que nenhum acordo seja alcançado."

Os representantes brasileiros, no entanto, negam que estejam atrapalhando o processo e garantem que já existe um acordo sobre o tratamento que será dado à produção do etanol.

Cuba

Segundo Manuel Vicente Fernandes Bertone, secretário de Produção e Agroenergia, que faz parte da delegação brasileira, o país não está impedindo um acordo "de forma nenhuma".

Ele diz que os "problemas do documento até agora não são biocombustiveis, há consenso com respeito aos biocombustíveis."

Na quarta-feira, o embaixador do Brasil na FAO, José Antônio Marcondes de Carvalho, havia dito que um acordo já tinha sido conseguido para amenizar as críticas ao etanol. A fonte diplomática que falou com a BBC, no entanto, negou que o acordo já tivesse sido acertado.

Nos bastidores do encontro, tem circulado versões de que outros temas também estariam criando problemas. Cuba estaria pedindo uma condenação ao embargo americano, o que não seria aceito pelos Estados Unidos.

O governo argentino também teria se posicionado contra tentativas de criticar tarifas no setor de alimentos.

A expectativa era que o documento fosse anunciado às 15h, hora de Roma (10h em Brasília), mas o anunciou foi adiado em pelo menos quatro horas e a coletiva de imprensa deve ocorrer apenas no começo da noite na capital italiana.

Comentários dos leitores
ANTONIO JOÃO JARDIN (121) 12/08/2008 19h27
ANTONIO JOÃO JARDIN (121) 12/08/2008 19h27
APESAR DA CAMBADA RURALISTA O BRASIL,VAI CADA DIA MELHOR sem opinião
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gil francisco (2) 12/08/2008 16h03
gil francisco (2) 12/08/2008 16h03
nunca vou concordar com renegociação de dividas de produtores por que tenho certesa de que sempre os devedores sao os mesmos e aqueles que enm financiamento faz, e continuan a plantar sera que estao no preju.... sem opinião
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Talvez o despreparado presidente se imagine como o rei do petróleo, sendo reeleito. Vixe Maria, sai pra lá mau olhado, cruz-credo... 2 opiniões
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