Análise: Obama contra Obama
LUCAS MENDES
da BBC Brasil, em Nova York
O problema do senador John McCain é o senador Barack Obama e o problema do senador Obama é o senador Obama.
O provável candidato democrata tem paixão, mas não tem um plano. O republicano tem um plano, mas não tem paixão.
Obama é a favor de mais impostos para os ricos, de mais saúde e educação e contra o empobrecimento da classe média. São temas de campanha e até bem estruturados com números, mas ele não tem uma ideal New Deal, um plano Marshall, um tcham capaz de atrair os votos indispensáveis dos brancos pobres, dos latinos, das mulheres, dos judeus e, mais importante, neutralizar o ataque republicano.
Barack tem quase tudo a favor dele. O índice de rejeição do presidente George W. Bush é recordista na história, 80% dos norte-americanos acham que o país está no caminho errado, a gasolina dobrou de preço em três anos, a renda média da família encolheu nos últimos sete anos, quase todos produtos essenciais encareceram e não foi só por causa do petróleo.
Secas competem com inundações, há milho de sobra para etanol, faltam outros grãos. Falências e perdas de ocupam as primeiras páginas.
E ainda não falamos na guerra, que até os republicanos detestam, da perda internacional do prestígio norte-americano pelas torturas e outros abusos, nem da humilhação do dólar.
Neste quadro mais negro do que petróleo, como é possível um republicano, associado ao presidente Bush, estar quase empatado com Obama nas pesquisas? Não aconteceu a grande disparada, comuns quando um candidato conquista a indicação do partido e tem o endosso do maior adversário.
Se Obama perder não será pela negritude de Obama. No balanço final, raça talvez seja um fator mais de ganho do que prejuízo de votos. Atraente e eloqüente, é um candidato eletrônico ideal.
Seu talento ficou comprovado numa das campanhas mais bem conduzidas da história norte-americana, o primeiro rebelde em mais de uma geração que desafiou os caciques do partido e venceu.
Montou uma organização de baixo para cima, administrada como se fosse uma empresa de eficientes românticos, liderada por gente que nunca tinha trabalhado junto e ganhando pouco.
A campanha de Obama reembolsava passagem de metrô, mas não os táxis, e quando os jovens partidários saíam batendo de porta em porta em busca de votos, a instrução era que levassem seus sanduíches e comida de casa. Os cofres de Obama estão cheios.
O senador McCain conta migalhas, a senadora está atolada em dívidas. O porta-voz dela ganhava mais por mês do que o de Obama ganhava por ano. O senador quer ajudá-la a sair das dívidas, mas há problemas legais.
Então qual é o ponto fraco de Barack Obama? Para a máquina republicana, que transforma heróis de guerra, como John Kerry, em covardes, o problema de Obama é Obama, o mais liberal dos democratas, um homem só com quatro anos de experiência no Senado, a favor de impostos, sem pulso para a guerra, um elitista incapaz de ganhar Estados cruciais do meio oeste e do sul porque se refere aos eleitores brancos mais pobres como gente amarga --"bitter people"-- que corre para Bíblia, armas e outros primitivismos nos momentos difíceis.
Barack Obama vai precisar palmilhar Ohio, Kentucky, Virgínia Ocidental, Missouri, Pensilvânia, Flórida e mais um ou dois Estados, com Hillary Clinton a tiracolo, para destruir o Obama dos republicanos.
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Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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