Análise: O gigante verde
LUCAS MENDES
da BBC Brasil, em Nova York
O entusiasmo e a fantasia dos brasileiros por esta eleição norte-americana são surpreendentes. A notícia de que Al Gore seria o vice-presidente de Barack Obama veio há muito tempo de amigos, leitores da BBC e assinantes do GNT que assistem o Manhattan Connection.
O Brasil --e o mundo-- gostam de Al Gore, mas quando ele era senador e foi ao Rio para a ECO 92, já era campeão do meio ambiente, mas foi ignorado. Eu o encontrei sozinho na sala de imprensa em busca de um jornalista interessado em entrevistá-lo. Entrevistei e não teve a menor repercussão.
Quem quer o pior emprego do mundo pela segunda vez, depois de oito anos com os Clinton? Al Gore criou a reputação de político competente pela dedicação ao verde e pela integridade durante seus anos no Senado e na Casa Branca.
Não é famoso pela inteligência. Nem pela burrice, e outra vice-Presidência seria uma idiotice, uma marcha a ré na contramão. Se ele não quis disputar a Presidência em 2004, porque tentar ser vice em 2008?
Al Gore está com todo o gás do Nobel, o glamour do Oscar queima o mais puro oxigênio político e pode se dar ao luxo de participar ou não do governo Obama, numa posição formal ou, talvez, ele prefira, como um embaixador extraordinário para missões especiais.
O homem verde tem experiência em várias outras áreas internacionais. Al Gore foi contra a guerra antes de Barack Obama e pode atrair milhões de independentes preocupados com o meio ambiente.
Muito antes do endosso de segunda-feira à noite, em Michigan, um dos Estados cruciais que ele ganhou em 2000, Obama prometia a Al Gore uma cadeira na cabeceira do ministério.
A aproximação de Al Gore com Barack Obama nesta altura da campanha é uma forte indicação que Hillary Clinton está fora da lista dos possíveis vices. Embora a senadora possa trazer mais votos para Barack do que qualquer outro vice, ele e Hillary não se bicam.
Al Gore está lá em cima na lista de candidatos a melhor vice-Presidência da história. Apesar da imensa sombra e das manchas de Bill Clinton, ele nunca foi contaminado e provavelmente perdeu a eleição porque se distanciou do presidente durante a campanha de 2000, mas hoje esta é uma especulação acadêmica.
Vice-presidente dos Estados Unidos já foi chamado de pior emprego do mundo pela impotência do cargo, mas Dick Cheney é serio candidato a pior vice-presidente da história porque foi um dos mais poderosos senão o mais poderoso e é responsabilizado pela maioria dos erros de George W. Bush.
Neste momento, o posto de pior vice é ocupado por Richard M. Johnson, vice de Martin van Buren. Ele era um dono de escravos que se elegeu com uma história falsa de herói que matou um índio, casou --não no papel-- com uma escrava que herdou do pai e quando ela morreu casou com outra escrava que fugiu dele.
Johnson perseguiu a mulher ate prendê-la e vendê-la e casou com a irmã, também escrava. E tentou apresentá-la à sociedade de Washington.
Johnson quis convencer o Congresso a aprovar uma expedição ao Pólo Norte porque acreditava que a terra era oca e lá em cima encontraria a porta para uma civilização muito melhor e feliz, como a do visionário Al Gore.
Teria sido uma expedição inútil, mas menos conseqüente, política e economicamente mais barata do que a expedição de Bush/Cheney ao Iraque. Os absurdos de Johnson foram tão extraordinários que me enveredei pela
história dele e perdi Al Gore.
Não sei quais serão as expedições dele se Obama for presidente, mas o gigante verde não vai buscar um mundo melhor pelo caminho da vice-Presidência.
Leia mais
- Obama faz intensa campanha para recuperar eleitores de Michigan
- Al Gore anuncia apoio a Obama e pede doações ao candidato
- Análise: Obama enfrenta questões raciais em Estados cruciais para as eleições
- Senador independente, Joe Lieberman critica Obama e apóia McCain
- Para partido, McCain é o republicano com mais chances entre hispânicos
- Pesquisas indicam que Obama lidera disputa; raça não deve influenciar
Livraria da Folha
- Ensaios de Chomsky analisam política externa americana no final do século 20
- "A Marcha" narra trilha de morte, destruição, saques e caos na Guerra de Secessão dos EUA
- Livro apresenta 1001 maneiras de salvar o planeta
- Manual ensina como aliar os negócios às questões ambientais
- Entenda as alterações climáticas causadas pelo aquecimento global
Especial



Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
avalie fechar
avalie fechar
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
avalie fechar