Multinacionais pedem ao G8 ações para reduzir emissões de CO2
RICHARD BLACK
da BBC News
Uma coalizão de 99 companhias está pedindo a líderes políticos que estabeleçam metas de redução das emissões de gases que causam o efeito estufa e que estimulem a criação de um mercado global de carbono.
Um plano de combate à mudança climática será entregue ao primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, semanas antes do próximo encontro do G8 --o grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia--, no Japão.
Entre as companhias estão grandes poluidoras, multinacionais como Shell, Petrobras e British Airways, além de British Petroleum, StatoilHydro, Pemex, Cemex e outras. Elas argumentam que reduzir as emissões de carbono representa uma "oportunidade econômica" para "impulsionar um novo capítulo de inovação tecnológica".
Uma das recomendações do documento é que todas as grandes economias, incluindo as emergentes, como China e Índia, sejam incluídas em um compromisso estabelecido para depois do fim do atual Protocolo de Kyoto.
Aos países ricos, entretanto, caberia uma redução de emissões mais significativa e em prazo mais curto, sugerem os empresários. Eles pedem que os governos se comprometam em reduzir à metade as emissões de carbono até 2050.
Para isso, sugerem que metas sejam estabelecidas em todas as indústrias de maneira flexível, com determinados setores gozando de condições menos rigorosas para preservar a competitividade. Além disso, eles pedem incentivos para medidas de redução de emissões nascidas "de baixo para cima" --ou seja, definidas a partir de discussões com a comunidade empresarial e com a sociedade civil-- e o estabelecimento de um mercado de crédito de carbono o mais rápido possível.
"É importante que a comunidade empresarial demonstre seu desejo de trabalhar com governos para combater o desafio representa", disse o presidente da British Airways, Willie Walsh. "Mas o relatório deixa claro que as empresas não podem operar em um vácuo político --precisamos de liderança firme dos governos."
Metas e prazos
Alguns dos elementos do relatório se aproximam dos objetivos já articulados pelos líderes políticos. Na semana passada, o primeiro-ministro Fukuda expressou a ambição de reduzir as emissões de carbono japonesas entre 60% e 80% até 2050.
Entretanto, muitos grupos ambientalistas defendem metas com horizontes mais curtos, que permitam dimensionar melhor os progressos e evidenciar retrocessos durante o processo.
Evidências científicas e econômicas recolhidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), da ONU, e pelo relatório Stern indicam que é prudente agir agora para combater a mudança do clima.
Para os ambientalistas, uma meta para 2050 representa mais uma "aspiração" que um objetivo rígido.
"Apesar de reconhecer que ainda existem incertezas nas evidências científicas e econômicas disponíveis, estes líderes empresariais concluem que uma abordagem responsável para gerenciar os riscos do problema requer medidas agora", afirma o documento.
Entretanto, o relatório considera suficientemente próximo o objetivo da União Européia, de reduzir até 2020 as suas emissões de carbono para o equivalente a 20% do nível de 1990.
"Criar um ambiente que incentive as pessoas a agir diferente é mais importante que estabelecer uma meta global", disse Steve Lennon, diretor-gerente da gigante sul-africana de energia Eskom. Não há dúvidas de que algumas das companhias nesta coalizão percebem oportunidades econômicas provenientes das soluções para o aquecimento global.
As recomendações de políticas climáticas dos empresários aos líderes do G8 são resultado de um ano de discussões promovidas pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) e o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, sigla em inglês).
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