Mandela critica liderança do Zimbábue
da BBC Brasil
O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela condenou nesta quarta-feira a violência política e o que chamou de "trágico fracasso de liderança" no Zimbábue.
"Nós assistimos com tristeza à prolongada tragédia em Darfur (no Sudão). Mais perto de casa, nós vimos a explosão de violência contra irmãos africanos em nosso próprio país e o trágico fracasso de liderança em nosso vizinho Zimbábue", disse Mandela em Londres, em um jantar em comemoração aos seus 90 anos.
Esta foi a primeira vez que o líder sul-africano falou sobre a crise no Zimbábue, que vem causando crescente preocupação internacional.
Segundo o correspondente da BBC James Robbins, Mandela havia mantido silêncio até agora para não prejudicar os esforços do presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, como mediador da crise no Zimbábue. A atuação de Mbeki foi criticada por seu seu fracasso em resolver a crise.
Também nesta quarta-feira, em uma reunião de emergência, representantes da Suazilândia, da Tanzânia e de Angola, países que integram a Comunidade de Desenvolvimento do Sul da África (SADC, na sigla em inglês), pediram que o governo do Zimbábue adie o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para esta sexta-feira.
Crise
A crise no país africano se agravou no último domingo, quando o líder da oposição e candidato à Presidência pelo Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), Morgan Tsvangirai, retirou sua candidatura no segundo turno e buscou refúgio na embaixada da Holanda em Harare, capital do Zimbábue.
Tsvangirai foi o mais votado no primeiro turno das eleições, em março, com cerca de 48%, enquanto o presidente Robert Mugabe obteve cerca de 43%. O número de votos, porém, não foi suficiente para que ele vencesse no primeiro turno.
O MDC afirma que 86 de seus partidários foram mortos e 200 mil pessoas expulsas de suas casas devido a uma suposta campanha de perseguição praticada por aliados do presidente Mugabe.
Nesta quarta-feira, Tsvangirai pediu a intervenção de líderes africanos para a superar a crise política.
Na segunda-feira, o Conselho de Segurança da ONU já havia condenado por unanimidade a intimidação contra a oposição do Zimbábue e dito que a violência torna "impossível" uma votação livre e justa no segundo turno da eleição presidencial.
Os Estados Unidos também afirmaram que não vão reconhecer os resultados da votação.
O presidente do Zimbábue rejeita as críticas e, apesar dos apelos da comunidade internacional, disse que as eleições serão realizadas na sexta-feira como planejado.
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