BBC Brasil
26/06/2008 - 14h54

Para OCDE, países devem aproveitar alta de alimentos para cortar subsídios

da BBC Brasil

Um relatório da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgado nesta quinta-feira pede que os países ricos aproveitem a alta mundial dos preços de alimentos para reformular "com urgência" suas políticas agrícolas protecionistas.

Segundo o relatório, medidas que "causam distorções nos mercados" se tornaram, com a alta dos alimentos, "menos eficazes em combater problemas de receita dos agricultores".

No ano passado, a ajuda concedida aos produtores dos países da OCDE alcançou US$ 258 bilhões --pouco mais que os US$ 257 bilhões registrados em 2006, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira.

Apesar de se manter estável de um ano para outro, o valor foi o equivalente a 23% da receita dos produtores --abaixo dos 26% registrados no ano anterior e dos 28% em 2005.

Em uma perspectiva histórica, o nível atual de ajuda é o menor desde o início das estatísticas, nos anos 1980. Entre 1986 e 1988, esta porcentagem era de 37%.

"A queda no nível da ajuda em 2007 foi principalmente motivada pelo aumento dos preços globais das commodities", atribuiu o relatório. "Com preços mundiais mais altos, as medidas dos países da OCDE para manter os preços geraram transferências menores, resultando em uma redução total da ajuda aos produtores."

Para a OCDE, "não aproveitar as oportunidades para reformas" abertas com o momento de alta nos preços dos alimentos significará "prolongar a vida de políticas que criam desequilíbrios de mercado".

Inflação dos alimentos

O relatório é mais um a atrelar a discussão sobre políticas protecionistas à questão do aumento dos preços de alimentos.

Na quarta-feira, a organização Oxfam, de combate à pobreza e à fome, disse que desmantelar os subsídios agrícolas dos países ricos ajudaria a conter a alta dos produtos agrícolas.

Para a OCDE, as altas do setor agrícola se devem a vários fatores: tendências de aumento na demanda por alimentos nos mercados emergentes, preços mais altos de energia e redução temporária de oferta de mercados-chave por conta de secas.

Além disso, afirma o documento, "uma maior atividade especulativa e políticas de estímulo à mudança no uso de determinadas colheitas para produção de biocombustíveis foram outras fontes de aumento dos preços das commodities".

A organização reconheceu que houve avanços no desmantelamento de políticas de protecionismo agrícola, como a reforma do açúcar pela União Européia, a aprovação de uma nova lei agrícola nos Estados Unidos e pequenas mudanças no Japão e na Coréia do Sul.

Entretanto, "as reformas têm sido desiguais de acordo com cada país", diz documento.

A OCDE notou que "a agricultura continuou um capítulo de dificuldades contínuas nas negociações da Rodada Doha, da OMC [Organização Mundial do Comércio], junto com o acesso a serviços e mercados não agrícolas" e que, "em meio a um processo multilateral lento, muitos países da OCDE deram início a novos acordos bilaterais e regionais de comércio".

Como balanço geral, a organização avaliou que "as políticas que distorcem o comércio continuam a caracterizar as políticas agrícolas de muitos países membros desta organização".

Comentários dos leitores
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
É o preço que países como o Brasil, por ser excencialmente agricola, têm que pagar. Seus produtos são negociados no mercado de "commodites" onde só os fortes interesses conseguem manejá-lo sem opinião
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Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
O povo tem que parar de fazer filho. O Brasil está atrasando em 100 anos sua entrada no 1o. mundo pq os pobres fazem 5 filhos por casal enquanto a classe média faz 1. Resultado: A juventude do Brasil não estuda. O pior é que o Estado faz de conta que não acontece nada.
A pobreza é um problema cultural, e é difícil o Estado resolver. É muito difícil mudar a cabeça de uma pessoa. Os pais não estudaram, os filhos não estudam e os netos também não vão estudar. Apenas uma pequeníssima parcela estuda e ascende socialmente.
Solução de longo prazo para o Brasil: Esterilização compulsória quando a mulher dá a luz ao segundo filho na rede pública de saúde e mutirões de vasectomia. Isso vai se refletir daqui 20 anos na segurança pública, nos índices de escolaridade, na diminuição da pressão sobre os serviços públicos (postos de saúde, creches).
Coragem pra dizer e fazer isso? Ninguém tem.
sem opinião
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micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
As verdadeiras causas das mudanças climática são muitas dentre elas destaco : o consumismo que para atende-lo precisamos explorar cada vez mais isto é retirar sempre que a demanda o exigir; o grande crescimento da população que para sobreviver precisa cada vez mais de espaço e alimento e não havendo controle da natalidade acabaremos consumindo tudo como um gafanhoto; o petroléo é nossa pricipal fonte energetica e precisamos depender cada vez menos do petroléo e não adianta sair culpando os carteis do petroléo, pois nos é quem somos dependêntes, quero ver você poder ir trabalhar, viajar se locomover sem seu carro. Temos sim que encontrar outras fontes energeticas pouco poluentes porque não existe fontes de energia não poluentes, pois onde tiver a existência do ser humano haverá poluição. Somos a unica espécie que não esta em equilibrio, pois os animais alimentam-se uns dos outros, quer dizer que um morre para o outro sobreviver e na nossa espécie alimentamos de quase tudo e todos e não temos predadores. A unica forma de viver sem poluir é larga a mordomia da civilização mordena e vivermos como os indios, quem se habilita?
A culpa das mudanças climáticas são de todos e a unica forma de isso acabar é eliminando os seres humanos.
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