BBC Brasil
27/06/2008 - 08h08

Falta de ação de BCs "prejudica controle da inflação no Brasil"

CAROLINA GLYCERIO
da BBC Brasil

A falta de ação dos Bancos Centrais de outros países no combate à inflação obriga o Brasil a aumentar os juros de forma mais drástica do que seria necessário se houvesse uma articulação internacional para conter as elevações de preços no mundo, dizem especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

"Quanto menos os BCs subirem suas taxas de juros, mais vamos ter que subir no Brasil", afirma o economista Ricardo Amorim, chefe da área de análise econômica para América Latina do banco West LB. "O BC fez as coisas certas, mas não contou com a ajuda de fora."

"Se eles apertassem mais, daria para apertar menos aqui", concorda Alcides Leite, professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios.

A lógica do argumento dos dois economistas é que assim como o BC brasileiro tem elevado os juros para desaquecer a economia nacional, só uma ação coordenada dos principais BCs nesse sentido provocaria uma redução da atividade econômica global, e portanto, uma menor elevação dos preços das commodities no mercado internacional.

"O Brasil não controla a demanda na Ásia, mas o aumento da demanda lá faz com que parte da oferta aqui seja exportada e a oferta local caia", diz Amorim.

Na semana passada o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista ao jornal Financial Times, fez um apelo a outros bancos centrais para que se unam no controle da alta dos preços.

"Se cada dirigente de BC decidir que esse é um problema de outros países, ninguém fará nada e haverá uma inflação em todo o mundo", disse Meirelles.

Presidentes de BCs se reuniram nesta quinta-feira em Lausanne, na Suíça, numa conferência do Bank for International Settlements (BIS), o BC dos BCs, para discutir desafios na política monetária da próxima década.

"Efeito incerto"

O economista José Ricardo Fucidji, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), questiona a eficácia do corte de juros num contexto de inflação gerado pelo aumento "estrutural" da demanda.

"O impacto do aumento de juros é desconhecido, espera-se que a contenção da demanda contenha a inflação, mas esse efeito é muito incerto."

"Se ataco o efeito e a causa real é a especulação de commodities e a falta de oferta, o efeito é incerto. O remédio deve ser uma combinação prudente entre taxa de juros e expansão da oferta."

Para Fucidji, um corte de juros generalizado poderia provocar um desaquecimento excessivo da economia mundial. "Remédio na dose errada é veneno."

O economista Eduardo Strachman, colega de Fucidji na Unesp, concorda e diz que o Brasil deve tomar o cenário internacional como dado já que China e Índia, países importantes nessa dinâmica inflacionária, não compartilham da "obsessão" brasileira com a inflação.

"Se Estados Unidos e Europa não conseguiram fazer pressão sobre a China, comos nós vamos fazer? A postura deles é 'não vamos comer nem 0,5% de crescimento por causa da inflação'. Eles não mudam a política de câmbio e juros, isso não está em questão. Esses juros exóticos são coisa do Brasil."

Leite, da Trevisan, concorda que não só a China, como a Rússia e a Índia, querem "crescer a qualquer custo" e, portanto, admitem crescimento com inflação.

Grandes consumidores de commodities, como Estados Unidos, China e Índia, têm grande influência na formação dos preços desses produtos, explica Leite. Ao não apertar os cintos dentro de casa, eles mantêm uma demanda alta, que pressiona os preços.

Outra forma de impacto citada por Leite decorre da diferença nas taxas de juros, quando apenas alguns BCs utilizam esse instrumento no combate à inflação.

"O efeito secundário é que, com juros muito baixos lá fora e muito altos aqui, vamos atrair muito capital especulativo, o que pode levar a uma depreciação da moeda e prejudicar as exportações."

Comentários dos leitores
Alziro Ribeiro da Silva (39) 26/11/2009 16h10
Alziro Ribeiro da Silva (39) 26/11/2009 16h10
Hoje é o desejo da maioria dos BRASILEIROS ter um carrinho na garagem, só que este desejo está ficando caro e muitos não aguentam o rojão e com isso fiacam com o nome sujo e se complicam tudo. sem opinião
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Ibraim J. Riston (1) 26/11/2009 13h11
Ibraim J. Riston (1) 26/11/2009 13h11
É incrível como a popularidade de Lula se mantém com tamanha carga Tributária, IPVA, multa, taxas, pedágios etc... E ainda por cima o descompromisso para com projetos como o GNV. Hoje o preço do gas natural para veículos jogou por terra todo o investimento. Toda a indústria de peças e equipamentos e a rede de serviços desenvolvida em torno do GNV, de repente se vê orfã. Gente que fez plano de vida em torno disso vendo seus planos, que foram baseados em premissas apresentadas pelo governo, dando com os burros n'agua! O álcool que à época era caro pela irresponsabilidade do mesmo governo, hoje embora o custo elevado, ainda é mais em conta que o GNV. E os consumidores que acreditaram e transformaram seus carros para este combustível estão aí se fu... porque o governo não está nem aí para isso. Apenas o baixo custo do GNV justificava todo o transtorno da transformação que vai desde o peso e tamanho do equipamento até a menor performance do motor convertido e a obrigatoriedade da Inspeção Veicular cuja taxa antes R$80,00 hoje é de R$110,00 e se retirar, pasme! R$160,00. Também tem a validade de 5 anos para o cilindro cujo teste para revalidação antes era feito por R$80,00 e hoje!! R$250,00, sem falar em toda a burocracia que se enfrenta, e que é muito maior se você resolver retirar essa arapuca!
Já deu pra perceber o porque deste meu "estado de espírito", eu retirei o equipamento do meu carro e descobri isso tudo há 7 dias do prazo final!
sem opinião
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Saulo Mundim Lenza (624) 26/11/2009 10h43
Saulo Mundim Lenza (624) 26/11/2009 10h43
Discordo.
Quem mata mais são os maus condutores dos automóveis.
São pessoas despreparadas, sem nenhuma condição de conduzir um veiculo.
O carro não tem culpa nenhuma, pois, é uma máquina.
sem opinião
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