BBC Brasil
27/06/2008 - 19h20

Em Unity, Hillary e Obama fazem 1º comício juntos

BRUNO GARCEZ
da BBC Brasil, em Unity (New Hampshire)

No seu primeiro comício ao lado de Barack Obama desde que abandonou a disputa pela candidatura democrata à Casa Branca, a senadora Hillary Clinton pediu aos eleitores que votaram nela nas primárias democratas que sejam fiéis ao partido e optem por seu ex-rival nas prévias.

"A todos que votaram em mim e estão pensando em não votar ou votar em John McCain, eu clamo que reconsiderem", disse Hillary ao lado de Obama, com quem dividiu o palco.

O comício ocorreu em um local carregado de simbolismo --a cidade de Unity, no Estado de New Hampshire.

Além do nome (unity significa "unidade" em inglês), um outro fator determinante na escolha da cidade foi o fato de Hillary e Obama terem empatado na prévia realizada na cidade em janeiro: cada um recebeu 107 votos.

"Diálogo emocional"

Hillary discursou antes de Obama e teve o senador sentado ao seu lado em uma cadeira.

Tanto ela quanto o ex-rival fizeram piadas sobre os momentos tensos dos seis meses de disputa pela candidatura do partido.

"Nós dois travamos um diálogo bastante emocional. Acho que essa é a maneira mais simpática que encontro para definir", disse a senadora, provocando risos nos presentes.

Ela acrescentou que "o senador McCain e os republicanos gostariam que nós não estivéssemos unidos. Mas eu tenho uma notícia para eles: nós somos um só país e um só partido e não descansaremos até que Barack Obama chegue a Presidência".

Adotando um tom diferente do que assumira no início da campanha, quando acusou o então rival de ser ingênuo e inexperiente, Hillary acrescentou que tem certeza da força e da determinação de Obama.

Ela também disse que a vida do senador é uma "prova do sonho americano".

Pose para as câmeras

Ao final do pronunciamento, os dois se abraçaram numa pose nitidamente voltada para as câmeras, e Obama retribuiu as amabilidades no discurso que fez em seguida.

Ele afirmou que Hillary "rompeu barreiras" e que "graças a ela, as minhas filhas agora sabem que não existem barreiras para elas."

As mulheres, acrescentou o senador, "podem fazer qualquer coisa que os meninos fazem e podem fazer melhor".

E emendou, brincando: "Podem fazer isso de salto alto. O que eu não entendo é como ela consegue fazer isso de salto alto". A piada de tom aparentemente sexista despertou um mero sorriso por parte de Hillary.

Críticas

O discurso de união foi bem recebido por boa parte das cerca de 4 mil pessoas que compareceram ao comício.

É o caso de Peggy Belmonte, que veio de Springfield, no Estado de Vermont, participar do comício. Ela disse ter votado em Hillary nas primárias devido à sua força e à sua coragem.

"Barack Obama será um bom presidente, mas fará um trabalho muito melhor com Hillary a seu lado. Não pode haver uma vice-presidente melhor do que alguém com muita experiência."

Mas alguns ainda se mostraram ressentidos com o desfecho da disputada campanha democrata, como um grupo de ativistas que protestaram do lado de fora e dentro do comício.

Uma delas era Toby Reich, que carregava um cartaz com um desenho de uma mulher sendo atropelada por um ônibus, representando Hillary Clinton. "As regras foram desvirtuadas em favor de Obama, devido ao que eles decidiram fazer em relação a Michigan e à Flórida", disse.

Hillary venceu as prévias nos dois Estados, mas eles foram punidos por adiantar as votações com redução de seu número de delegados na Convenção Nacional Democrata, que definirá o candidato à Casa Branca.

Reich, que se define como uma eleitora independente, disse que não votará em Obama, mas possivelmente em McCain. "Ele (Obama) é totalmente desqualificado e não possui experiência."

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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