BBC Brasil
30/06/2008 - 09h36

ONU pede à União Africana solução negociada para o Zimbábue

da BBC Brasil

As Nações Unidas pediram aos líderes africanos reunidos na cúpula da União Africana em Sharm el Sheikh, no Egito, que tentem negociar uma solução para a crise no Zimbábue.

A vice-secretária-geral das Nações Unidas, a tanzaniana Asha-Rose Migiro, disse que este é o "momento da verdade" para os líderes da União Africana --organização formada por 53 nações.

"Este é o maior desafio para a estabilidade regional no sul da África."

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, participa da reunião no Egito.

Mugabe foi empossado no domingo depois de uma vitória que observadores dizem ter sido minada por violência. A comissão eleitoral do país disse que ele recebeu 85,5% dos votos válidos.

Em nota oficial, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em visita a Tóquio, disse que "as condições não estavam estabelecidas para eleições livres e justas e observadores confirmaram que este foi um processo profundamente falho".

"O resultado não reflete a vontade genuína do povo zimbabuano."

A África do Sul pediu a Mugabe que converse com a oposição para formar um governo de transição.

O presidente acabou sendo o único candidato a disputar o segundo turno depois que seu adversário, o líder do Movimento para Mudança Democrática (MDC), de oposição, Morgan Tsvangirai, retirou o seu nome.

"Paz"

Em seu discurso de boas vindas, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, disse que estimular a paz e a segurança é "essencial para resolver disputas e conflitos no continente".

A União Africana decidiu não aceitar líderes que não foram eleitos democraticamente, mas observadores afirmam que é pouco provável que adotem uma postura dura contra Mugabe tão depressa.

Um esboço de resolução formulado por ministros do Exterior da África antes da cúpula não criticou as eleições e nem Mugabe, mas condenou a violência em termos gerais e apelou por diálogo.

Observadores independentes criticaram a votação. Monitores da própria União Africana disseram nesta segunda-feira que o pleito não atingiu os padrões da organização para eleições democráticas.

Analistas acreditam que o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, é um mediador-chave na crise. Ele não criticou Robert Mugabe apesar de pressões de seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA).

A posição dos vizinhos

O presidente da Zâmbia, Levy Mwanawasa, adotou a postura mais firme, chamando o Zimbábue de "constrangimento regional".

O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, tido como um dos aliados mais próximos de Mugabe, pediu que o presidente zimbabuano ponha fim à violência.

Botsuana convocou um emissário zimbabuano para reclamar da violência. O país vinha apoiando a oposição no Zimbábue.

A Namíbia, aliada de Mugabe --que, a exemplo do que fez o líder zimbabuano, quer redistribuir terras de fazendeiros brancos para camponeses negros-- não criticou a violência no país vizinho.

Moçambique recebeu alguns fazendeiros brancos forçados a deixar o Zimbábue quando sua terra foi tomada. O país é visto como simpático à oposição.

O partido no poder na Tanzânia historicamente apóia o partido Zanu-PF, de Mugabe. Seu ministro do Exterior, contudo, condenou a violência.

O presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, é aliado de Mugabe, que enviou tropas para ajudar o seu pai, Laurent Kabila, que enfrentou rebeldes.

O Malauí é visto como neutro. Mas 3 milhões de pessoas do Malauí estão no Zimbábue e várias foram prejudicadas pela invasão de fazendas.

Europa

Na Europa, as condenações ao pleito continuaram. O ministro do Exterior da França, Bernard Koucher, disse que a eleição no Zimbábue é uma "farsa" que não pode ser aceita.

"Eu espero que a União Africana e seus líderes deixem absolutamente claro que tem que haver mudança e um novo governo tem que ser organizado", afirmou o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.

 

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