BBC Brasil
03/07/2008 - 09h30

Ingrid Betancourt diz que resgate foi "perfeito"; veja vídeo

da BBC Brasil

A política colombiana Ingrid Betancourt disse que sua libertação, depois de seis anos de cativeiro na selva colombiana, foi "um milagre".

Veja vídeo.

"Não existem antecedentes históricos de uma operação tão perfeita. Obrigada ao Exército, por sua operação impecável", disse ela.

Betancourt foi resgatada na quarta-feira, em uma operação do Exército da Colômbia, que libertou ainda outros 14 reféns mantidos pelo grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Vestida com um colete militar e com os cabelos presos sob um chapéu, Betancourt teve um encontro emocionado com a mãe, Yolanda Pulecio, e com outros familiares e amigos ao desembarcar de um avião da Força Aérea na capital da Colômbia, Bogotá.

Logo depois, ainda na base aérea de Bogotá, Betancourt contou como foi o resgate.

Resgate

A operação de resgate, realizada nesta quarta-feira no Estado de Guaviare, no sul do país, envolveu agentes do Exército infiltrados nas Farc.

Segundo o governo colombiano, os 15 reféns foram resgatados sem que "nenhum tiro" tivesse de ser disparado.

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que os rebeldes das Farc foram "enganados" pelos militares.

De acordo com Santos, os rebeldes entregaram os reféns pensando que seriam transportados no helicóptero de uma suposta organização de ajuda humanitária para outro campo, onde se encontrariam com o líder das Farc, Alfonso Cano.

A própria Betancourt disse que os reféns pensavam estar sendo transportados para outro cativeiro, como ocorria com freqüência.

Betancourt afirmou que só percebeu que se tratava de um resgate quando viu um de seus captores preso e vendado, no chão da aeronave.

Segundo ela, o comandante da operação disse então: "Somos o Exército nacional, vocês estão em liberdade".

"Saltamos, gritamos, choramos, nos abraçamos. Não podíamos acreditar nesse milagre", disse Betancourt.

Betancourt afirmou também duvidar que os líderes das Farc soubessem o que aconteceu.

Disse ainda esperar que os guerrilheiros que eram seus guardas e que ficaram na selva "não sejam sujeitos à justiça das Farc, porque não têm culpa do que aconteceu".

Reféns

Além de Betancourt, foram libertados três cidadãos norte-americanos, seqüestrados em 2003, e 11 policiais e soldados colombianos.

Eles faziam parte de um grupo de reféns considerados pelas Farc passíveis de troca por guerrilheiros presos em um eventual acordo com o governo colombiano.

Desse grupo, Betancourt, que tem dupla nacionalidade colombiana e francesa, era considerada a refém mais importante.

Ela foi seqüestrada pelas Farc em 2002, quando fazia campanha para as eleições presidenciais.

Em abril, em meio a relatos sobre o seu frágil estado de saúde, chegou-se a especular que Betancourt poderia estar morta. Na época, a política apareceu em um vídeo com semblante fraco e doente.

Em seu pronunciamento nesta quarta-feira, Betancourt pediu às Farc que libertem os demais reféns. Estima-se que cerca de 700 pessoas estejam em poder do grupo rebelde.

"Que este instante de felicidade não nos faça esquecer que isto é um milagre, que outros morreram", disse. "Vamos continuar lutando pela liberdade dos que ficaram."

Reações

O resgate de Betancourt e dos outros reféns foi comemorado por líderes de diversos países e festejado nas ruas de Bogotá e de outras cidades.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em uma nota esperar que, com a libertação de Betancourt, "tenha sido dado um passo importante para a libertação de todos os demais seqüestrados, a reconciliação de todos os colombianos e a paz na Colômbia."

Na França, o presidente Nicolas Sarkozy, que fez da libertação de Betancourt uma prioridade de sua política externa, deu uma declaração no Palácio do Eliseu ao lado dos dois filhos da ex-refém.

Sarkozy felicitou as autoridades colombianas pelo sucesso da operação e lançou um apelo para que as Farc cessem "um combate absurdo e medieval".

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, para elogiar a libertação dos reféns.

Segundo o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, houve uma "estreita cooperação" dos Estados Unidos na operação de resgate, incluindo informações de inteligência, equipamentos e treinamento.

À noite, em um pronunciamento transmitido pela TV colombiana, Uribe felicitou o Exército pelo sucesso da operação e pediu às Farc que libertem todos os reféns em seu poder e aceitem o convite do governo para negociar a paz.

Comentários dos leitores
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
JR, você deveria dizer que os votos estão sendo comprados juntamente com suas consciências. Os bolsas diversas não dignificam ninguém, apenas resolvem num momento o seu problema, este desgoverno pretende criar mais dois bolsas, o da cultura e o do celular, isso se chama compra de voto, e o PT é PHD nisso, agora falar em 3º mandato para o imcomPeTente, é exatamente fazer o que o lixo do Zelaia iria fazer, se perpetuar no poder como alguns idiotas estão querendo fazer na América Latina, simplificando alguns são cópias baratas do Hugo Chavez e este por sua vez é uma planta nascida do esterco da revolução cubana. Este governo, tem sim laços de amizade com as FARC, pois guerrilheiro defende guerrilheiro, o caso mais conhecido neste governo é a Dilma, que era também colega do heroi do PT "Lamarca", guerrilheiro assassino cruel, assaltante de bancos, (aliás a Dilma também foi), sequestrador, ladrão de armas do exército, desertor, e ainda assim sua familia recebeu mais de um milhão de indenização mais a pensão de coronel. sem opinião
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Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. 5 opiniões
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O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
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