BBC Brasil
04/07/2008 - 14h10

Cativeiro fez França "adotar" Ingrid Betancourt

HUGH SCHOFIELD
da BBC, em Paris

Pergunte a qualquer francês de onde é Ingrid Betancourt e eles vão responder que ela é metade colombiana e metade francesa.

"Franco-Colombienne" é como ela é qualificada na mídia da França. Mas isso não é verdade. A ex-candidata presidencial de 46 anos é 100% colombiana, e tem passaporte francês só por causa de um casamento que já foi desfeito.

O que acontece é que, por um curioso processo de osmose nacional, em seus mais de seis anos de cativeiro, Betancourt se tornou francesa. Os franceses a reclamam para si mesmos.

Há uma explicação perfeitamente racional para isto. Ingrid Betancourt passou boa parte da sua juventude em Paris, onde o pai dela foi embaixador da Colômbia na Unesco (o fundo das Nações Unidas para a cultura).

Depois ela estudou ciências políticas na França e fez amizade com o futuro premiê Dominique de Villepin. Ingrid Betancourt casou-se com o primeiro marido --um diplomata-- e teve dois filhos --Melanie e Lorenzo-- na França.

Como ela disse ao descer de uma aeronave em Bogotá, seu coração está "compartilhado entre Colômbia e França".

Mas o fascínio da França com Ingrid Betancourt tem raízes psicológicas mais profundas.

Durante o seu período de cativeiro, Betancourt foi transformada de uma ambientalista obscura mas bem relacionada de um país distante em um símbolo do heroísmo dos dias de hoje.

Foram criados comitês de apoio em várias partes da França, que realizaram uma rodada constante de eventos de conscientização. Em disputas esportivas, pediu-se a multidões que dessem aplausos de cinco minutos em homenagem a ela.

Foram realizadas vigílias noturnas; ela se tornou cidadã de Paris; e uma grande fotografia dela foi colocada na fachada do Hotel de Ville.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, percebeu essa tendência e fez da libertação de Betancourt uma prioridade política.

O chefe de Estado fez um forte lobby em favor de Betancourt em fóruns internacionais e, embora ele não tenha tido nenhum envolvimento direto na sua libertação, certamente conseguirá reclamar algum crédito político.

Era como se Ingrid Betancourt respondesse a algum anseio no povo francês por um ícone para representar os valores que eles acreditam serem seus: consciência social, ativismo, coragem, independência.

Também não foi contraproducente o fato de ser esta uma mulher que obviamente ama a França e acredita que sua mensagem para o mundo ainda conta.

Falando em francês no aeroporto de Bogotá, Betancourt disse que mal podia esperar para redescobrir o que chamou de "ma douce France" ("minha doce França", em tradução livre).

É uma expressão antiga que conjura todo o tipo de sentimento bom. Ela não poderia ter feito um elogio maior ao país que a adotou.

Comentários dos leitores
Ricardo Perrone (41) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (41) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. sem opinião
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O Pacificador (114) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (114) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
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AGUINALDO VENANCIO (2096) 12/11/2009 08h06
AGUINALDO VENANCIO (2096) 12/11/2009 08h06
BOA URIBE! sem opinião
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