BBC Brasil
07/07/2008 - 12h00

Crise pode deixar 100 milhões na miséria, alertam ONU e Bird

da BBC

A alta dos preços dos alimentos ameaça reverter todos os avanços globais com desenvolvimento e levar 100 milhões de pessoas em todo o mundo para baixo da linha de pobreza, advertiram nesta segunda-feira o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-Moon, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

A declaração de ambos foi feita na ilha de Hokkaido, no Japão, onde acontece a reunião de cúpula anual do G8, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia.

Ambos haviam participado de uma reunião pela tarde com os líderes do G8 e oito chefes de Estado ou governo africanos.

Ban e Zoellick cobraram dos países do G8 uma ação urgente para combater a atual crise e para prevenir futuras altas nos preços dos alimentos.

Segundo o secretário-geral da ONU, o mundo enfrenta três crises simultâneas e interligadas - dos alimentos, do clima e de desenvolvimento --para as quais são necessárias soluções integradas.

"Nossos esforços até agora têm sido muito divididos e esporádicos. Agora é a hora de termos um enfoque diferente", afirmou Ban.

"A ONU está pronta para ajudar com todos esses desafios globais", disse. Segundo ele, "todo dólar investido hoje equivale a dez amanhã ou cem no dia seguinte".

Oportunidade

O presidente do Banco Mundial afirmou que a atual crise é uma oportunidade para que o mundo consiga alcançar um caminho de desenvolvimento no longo prazo, mas que para isso é necessário um comprometimento dos países ricos por mais investimentos.

Segundo ele, investimentos em projetos como irrigação podem ajudar a expandir as colheitas, principalmente na África, e ajudar a combater a escassez global de alimentos.

"Só 4,9% das terras aráveis da África são irrigadas, contra 40% no Sudeste Asiático", observou.

Segundo ele, os caminhos para possíveis soluções para os problemas atuais já são conhecidos, mas o que falta são mais recursos.

Impacto dos biocombustíveis

Questionados durante a conferência sobre o impacto que os biocombustíveis teriam sobre a alta global dos alimentos, Ban e Zoellick afirmaram que a produção certamente afeta a atual crise, mas argumentaram que são necessários mais estudos para avaliar a exata dimensão desse impacto.

Na semana passada, um documento do Banco Mundial vazado para o jornal britânico "The Guardian" estimava em 75% a parcela de culpa dos biocombustíveis na alta dos alimentos, principalmente pelo desvio de cultivos como o milho ou a soja para a sua produção.

"É verdade que os biocombustíveis contribuem para o aumento no preço dos alimentos, mas não está claro quanto", afirmou Ban. "Acredito que precisa haver mais pesquisas para quantificar isso."

Comentários dos leitores
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
É o preço que países como o Brasil, por ser excencialmente agricola, têm que pagar. Seus produtos são negociados no mercado de "commodites" onde só os fortes interesses conseguem manejá-lo sem opinião
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Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
O povo tem que parar de fazer filho. O Brasil está atrasando em 100 anos sua entrada no 1o. mundo pq os pobres fazem 5 filhos por casal enquanto a classe média faz 1. Resultado: A juventude do Brasil não estuda. O pior é que o Estado faz de conta que não acontece nada.
A pobreza é um problema cultural, e é difícil o Estado resolver. É muito difícil mudar a cabeça de uma pessoa. Os pais não estudaram, os filhos não estudam e os netos também não vão estudar. Apenas uma pequeníssima parcela estuda e ascende socialmente.
Solução de longo prazo para o Brasil: Esterilização compulsória quando a mulher dá a luz ao segundo filho na rede pública de saúde e mutirões de vasectomia. Isso vai se refletir daqui 20 anos na segurança pública, nos índices de escolaridade, na diminuição da pressão sobre os serviços públicos (postos de saúde, creches).
Coragem pra dizer e fazer isso? Ninguém tem.
sem opinião
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micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
As verdadeiras causas das mudanças climática são muitas dentre elas destaco : o consumismo que para atende-lo precisamos explorar cada vez mais isto é retirar sempre que a demanda o exigir; o grande crescimento da população que para sobreviver precisa cada vez mais de espaço e alimento e não havendo controle da natalidade acabaremos consumindo tudo como um gafanhoto; o petroléo é nossa pricipal fonte energetica e precisamos depender cada vez menos do petroléo e não adianta sair culpando os carteis do petroléo, pois nos é quem somos dependêntes, quero ver você poder ir trabalhar, viajar se locomover sem seu carro. Temos sim que encontrar outras fontes energeticas pouco poluentes porque não existe fontes de energia não poluentes, pois onde tiver a existência do ser humano haverá poluição. Somos a unica espécie que não esta em equilibrio, pois os animais alimentam-se uns dos outros, quer dizer que um morre para o outro sobreviver e na nossa espécie alimentamos de quase tudo e todos e não temos predadores. A unica forma de viver sem poluir é larga a mordomia da civilização mordena e vivermos como os indios, quem se habilita?
A culpa das mudanças climáticas são de todos e a unica forma de isso acabar é eliminando os seres humanos.
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