Colômbia está isolada na região, diz Ingrid Betancourt
da BBC
A ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Ingrid Betancourt, disse que "a Colômbia está isolada na região" e que "não teria votado em (Álvaro) Uribe" por causa de suas diferenças políticas com o presidente da Colômbia.
Em entrevista exclusiva à BBC Mundo, em Paris, ex-refém disse que a Colômbia pode contar apenas com o Peru, presidido por Alan García. Mas fora isso, a Colombia "está isolada na região".
"Há vezes em que a Colômbia vai na contramão em relação aos demais países da América Latina porque a situação da Colômbia é diferente da de todos os demais. É o único país que tem guerrilha e por isso estamos na extrema direita."
"Quem elegeu Uribe foram as Farc. Se não existissem as Farc, não existiria Uribe. Os colombianos votaram em Uribe porque estão até o pescoço com as Farc."
Esquerda
Betancourt afirmou que tem uma divergência "fundamental" com o Uribe: a natureza da guerrilha.
"Uribe concebe o problema colombiano como uma crise de violência, de segurança, e esta crise de segurança, esta violência, é o que cria um mal-estar social. Eu penso o contrário. Eu penso que é porque há um mal-estar social que há violência. Estas interpretações diferentes fazem com que as políticas para atacar o problema sejam diferentes."
A ex-refém não descartou uma possível candidatura à Presidência. "A verdade é que penso que os espaços têm que se abrir naturalmente. Se vejo em algum momento que é bom para a Colômbia que eu esteja aí, estarei", disse.
Ideologicamente "sempre serei de esquerda", disse Betancourt. A pessoa "tem de estar onde as pessoas sofrem, onde pode fazer a diferença".
Para ela, "as Farc não são de esquerda. A mim, me parece que são da extrema direita de alguma esquerda de um tempo pré-histórico. Mas de esquerda não são".
Chávez
Betancourt fez um pedido ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e ao do Equador, Rafael Correa, em tentativas de mediação junto às Farc para a libertação de reféns.
"Não me importa que Chávez tenha contato com as Farc, se este contato faz com que Chávez tenha influência sobre eles e que, através desta influência, possa convencê-los a libertar meus companheiros", disse.
"A única coisa que peço a Chávez e a Correa é que entendam que as mudanças na Colômbia sejam feitas por via democrática e que eles têm de contar com o presidente da Colômbia."
A ex-refém disse que não foi bom que "Chávez tenha começado a vociferar e a utilizar um vocabulário que depois acabou com a possibilidade de qualquer tipo de comunicação com Uribe".
"Acredito que nisso Chávez se equivocou."
Mas a ajuda do presidente venezuelano ainda é valiosa na opinião da ex-refém. "Ficaram outros e, de todas as formas, vamos continuar precisando de Chávez e então precisamos que se volte a fazer estas pontes."
Em uma outra entrevista a uma emissora à Rádio França Internacional, Betancourt disse que o governo colombiano deveria abrir mão do "vocabulário de ódio" contra os seus seqüestradores.
A ex-refém quer que as autoridades adotem um tom mais conciliatório para com as Farc para conseguir a libertação de mais pessoas que estejam nas mãos do grupo guerrilheiro.
As Farc, em luta contra o Estado colombiano há quatro décadas, mantém até 700 reféns em seu poder.
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Especial


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Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
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