BBC Brasil
15/07/2008 - 07h58

Mega fusão das cervejas deixa rivais "de ressaca", diz jornal britânico

da BBC Brasil

A aquisição da cervejaria Anheuser-Busch pela belgo-brasileira InBev poderá deixar os rivais 'de ressaca', afirma um artigo publicado na edição desta terça-feira do jornal britânico "The Daily Telegraph".

"Com 26% do mercado global, três das cinco maiores marcas de cerveja, e uma produção anual estimada em 460 milhões de hectolitros, a nova cervejaria produzirá 60% a mais do que seu competidor mais próximo", afirma o artigo.

O jornal diz que a maior vítima da fusão será provavelmente a SABMiller, que recentemente adquiriu a Grolsch e aumentou sua influência na China.

"A InBev traz consigo as marcas Stella Artois e Beck's, ambas as quais poderão vender bem contando com o braço de distribuição da Anheuser por trás".

"A Heineken e a SABMiller provavelmente também serão atingidas na China, o maior mercado mundial de cerveja. A Anheuser-Busch InBev terá uma fatia de 21% do mercado chinês e acesso à Tsingtao, a cerveja que mais vende no país".

Brasileiro bilionário

A edição desta terça-feira do jornal britânico "The Guardian" traz um perfil de Jorge Paulo Lemann, o brasileiro por trás das operações que transformaram a InBev na maior cervejaria do mundo após a fusão com a Anheuser-Busch.

"Baseado na Suíça desde uma tentativa frustrada de seqüestro de seus filhos em 1999, o brasileiro moldou as pegadas de uma das aquisições globais mais agressivas já vistas até agora", diz o diário britânico.

O jornal traça a trajetória do brasileiro que foi tenista antes de entrar para o ramo das cervejas, ao comprar a Cervejaria Brahma em 1989.

A primeira grande fusão com a Companhia Antarctica Paulista, dando origem à Ambev, e depois com a belga Inbrew, em 2004, fez de Lemann um dos controladores da cervejaria "que hoje opera com a maior margem de lucros da indústria", diz o "Guardian".

"Ao se fundir com a Inbrew, cuja origem remonta a 1366, Lemann e seus associados, assim como três famílias aristocráticas belgas, contam com o mesmo número de assentos na diretoria, num acordo que ficou conhecido como uma fusão de iguais", diz o jornal.

"Desde então, com seu protegido Carlos Brito como presidente, a Inbev persegue a todo custo uma agenda de corte de gastos e hoje abocanha os maiores lucros da indústria", diz o "Guardian".

Cara duro

Os jornais americanos também destacaram nesta terça-feira a aquisição da Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, pela InBev.

O "New York Times" levanta suspeitas sobre os planos da nova mega-empresa em expandir as vendas da Budweiser, a cerveja mais popular dos Estados Unidos.

"Muitos analistas se concentram no corte de gastos que a companhia vai implantar na Anheuser-Busch e não nas oportunidades de expandir as vendas da Budweiser e da sua irmã, Bud Light, pelo mundo", diz o jornal.

O "Los Angeles Times" traz uma reportagem no mesmo tom, enfatizando que "a InBev é comandada por brasileiros que têm sido agressivos no corte de gastos".

"Eles vão instalar um tipo de disciplina que mudará o perfil da Anheuser-Busch", diz o jornal.

"Carlos Brito é um cara duro", diz um dos analistas ouvidos pelo "Los Angeles Times".

"Ele poderá cortar a campanha de propaganda da Budweiser, que tem um histórico de sucesso, frear generosos patrocinadores e diminuir o número de distribuidores", prevê o diário americano.

Comentários dos leitores
Reynaldo Fogagnolli (5) 15/07/2008 15h21
Reynaldo Fogagnolli (5) 15/07/2008 15h21
É uma pena que os políticos brasileiros não sigam o exemplo administrativos deste grupo brilhante de empresários, que ainda conseguem nos fazer sentir orgulho de sermos brasileiros !!
Parabéns SRs...A Bud agora tem sabor verde-amarelo!!
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Renato Oliveira Bonetti (1) 15/07/2008 13h32
Renato Oliveira Bonetti (1) 15/07/2008 13h32
SAO PAULO / SP
Realmente não vejo motivos para comemoração.
Essas empresas transnacionais estão fazendo fusões e diminuindo a concorrência, se tornando um verdadeiro monopólio ou oligopólio tornando os consumidores de produtos de determinado segmento em reféns do mercado.
Isso não é saudável para o mercado. Basta olhar o mercado brasileiro que é dominado por estas corporações. Desde a mineração até o campo alimentício. Desta forma fica muito mais fácil para tais empresas impor preços mais elevados e maximizar seus lucros.
Renato de Oliveira Bonetti
Professor de Geografia
14 opiniões
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Reynaldo Fogagnolli (5) 15/07/2008 12h17
Reynaldo Fogagnolli (5) 15/07/2008 12h17
É uma pena que nossos políticos não façam escola com esse grupo brilhante de brasileiros vencedores!
Parabéns por nos fazerem sentir ainda um pouco de orgulho de sermos brasileiros!
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