BBC Brasil
22/07/2008 - 19h55

Brasil pedirá que subsídios dos EUA não passem de US$ 13 bi

MARCIA BIZZOTTO
Enviada especial da BBC Brasil a Genebra
da Folha Online

O Brasil vai pressionar os Estados Unidos a reduzir ainda mais o limite sobre seus subsídios agrícolas para que não passe dos US$ 13 bilhões propostos no texto atual das negociações da Rodada Doha.

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"Poderíamos iniciar negociações se eles chegarem ao nível mais baixo contemplado. Dentro do politicamente viável, US$ 13 bilhões se aproxima do razoável", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao deixar a sede da Organização Mundial de Comércio (OMC) depois de um longo dia de reuniões.

Nesta terça-feira a negociadora comercial americana, Susan Schwab, melhorou sua oferta de corte da ajuda doméstica para US$ 15 bilhões - a anterior era de US$ 17 bilhões -, mas Amorim recordou que o G20 pedia um corte para US$ 12 bilhões.

Segundo o chanceler, a reunião desta terça-feira serviu para um intercâmbio de explicações entre os diferentes negociadores.

"Mostramos (aos Estados Unidos) que a proposta é o mesmo que duas vezes o que eles gastaram este ano e mais ou menos US$ 2,5 bilhões mais que a média (dos subsídios concedidos) desde 2002, incluindo 2008."

Amorim comparou a oferta de Schwab a uma jogada de futebol americano: "Eles lançaram a bola, mas não suficientemente longe."

Indústria

No capítulo de bens industriais, foi o Brasil quem deu explicações sobre as limitações que enfrenta para fazer novas concessões.

"A cobrança é nossa, de que as pessoas têm que entender o que a gente quer dizer", afirmou o chanceler.

E a mensagem, segundo ele, é clara: "Cláusula de anti-concentração é uma má idéia".

Essas cláusulas, que os países mais ricos querem incluir no acordo, limitariam o nível de flexibilidade com o qual os países em desenvolvimento poderiam proteger determinados setores da indústria na hora de aplicar os cortes de tarifas.

Pouco antes, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, comentou que o ponto negativo da reunião foi a resistência de "certos negociadores" em aceitar a atual proposta para o capítulo industrial.

"Mas acredito que até o final da noite esses pontos foram superados", disse.

Para Amorim, a intensidade do dia de reuniões é um bom sinal da disposição geral para se chegar a uma conclusão. "Alguns podiam ter ido embora, mas todo mundo continuou aqui negociando".

Os sócios da OMC continuarão expondo suas dificuldades e possibilidades de avanço na jornada de quarta-feira, que promete ganhar novo fôlego com a chegada do ministro indiano de Comércio, Kamal Nath.

Na sexta-feira o diretor geral da OMC, Pascal Lamy, deve circular entre os negociadores um novo texto, com as propostas revisadas. Mas, apesar de a reunião estar programada para concluir no sábado, ninguém se atreve a dizer se o cronograma poderá ser cumprido.

"É mais importante concluir (o acordo) que simplesmente ter um deadline específico e preciso. Mas claro que não podemos estar aqui para sempre", disse Amorim.

Comentários dos leitores
JT Hiroyuki (9) 20/08/2008 08h46
JT Hiroyuki (9) 20/08/2008 08h46
Infelizmente nosso Ministro de Relações Exteriores deixa a desejar quando o assunto é defender nosso país. 31 opiniões
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Danny Yazbek (180) 19/08/2008 22h02
Danny Yazbek (180) 19/08/2008 22h02
Neste mes, ocorrida a posse do novo Presidente do Paraguai, eleito com discurso populista Anti-Brasil, especificamente voltado ao aumento de tarifas de energia produzida pela Usina Itaipu, será mais uma pedra no sapato do Ministério das Relações Exteriores, e a julgar pelo mau desempenho do Ministro na Rodada Doha, certamente irá abaixar a cabeça mais uma vez, assim como fez com a Bolívia, a Venezuela e etc...
Celso Amorin tá mau hein? Pede pra sair!
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Bernardo Fonseca Mendes (25) 31/07/2008 13h32
Bernardo Fonseca Mendes (25) 31/07/2008 13h32
Lamentável a posição do Brasil nas negociações. O "gigante" da América Latina cede facilmente aos interesses dos EUA e da U.E.
Nisso pelo menos a Argentina, mesmo com mil problemas, está mil anos na nossa frente.
Comparem a história da política externa brasileira com a da Argentina. Eles sempre foram mais resistentes, enquanto nós, ou melhor, nossas elites, sempre mais vendidas.
Vocês já leram "Germinal", de Émile Zola, escrito na efervescência econômica e social francesa?Pois bem, o patrão tentava negociar com os trabalhadores seus salários. Sempre na posição do mais forte, tentava justificar que "sua posição" era benéfica para o mundo dos negócios. Era melhor os trabalhadores aceitarem as propostas ao perder o emprego.
No meio dos trabalhadores havia um líder, esperto e forte. O patrão, assim q percebeu q o líder era uma ameaça passou a cooptá-lo. O líder virou capataz em troca de merrecas e tentava convencer os colegas era melhor ceder do que lutar.
O Brasil faz a mesma coisa. Engana os países vizinhos, pois sabe que ele, por ser o mais forte da região, será o menos prejudicado. Da mesma forma, se vende com facilidade aos interesses dos EUA, na tentativa de ganhar algo com isso. [2]
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