Lula visita Argentina em plena tensão bilateral, diz "La Nación"
da BBC Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à Argentina neste domingo (3) em "plena tensão bilateral", afirma uma reportagem publicada nesta terça-feira no jornal argentino "La Nación".
Segundo o diário, a tensão entre os dois países se deve às diferenças de posição entre Brasil e Argentina nas negociações da Rodada Doha e aos novos conflitos comerciais relacionados à farinha argentina e à redução alfandegária adotada pelo Brasil.
"Lula será o primeiro chefe de Estado a visitar sua parceira Cristina Kirchner depois da crise do setor agrícola, mas chegará justo quando há diferenças entre os dois países", diz o jornal.
"Talvez não seja o melhor momento para que o presidente brasileiro venha à Argentina, mas chegará, de qualquer forma, no domingo", afirma o "La Nación".
Negócios
O jornal destaca que, na agenda da visita, está um encontro entre secretário argentino da Indústria, Fernando Fraguío, e o secretário-geral do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, Ivan Ramalho.
Segundo o diário, os dois representantes devem discutir duas das principais causas da tensão entre os países: a redução das tarifas alfandegárias autorizada pelo Brasil e a conseqüente "violação unilateral" nas TEC (Tarifas Externas Comuns) do Mercosul, e as acusações da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo) contra os competidores por um possível dumping da farinha argentina.
Apesar dos conflitos no setor comercial, o La Nación destaca que a expectativa do encontro entre Lula e Cristina Kirchner, agendado para segunda-feira, é que os líderes fechem acordos comerciais durante a reunião.
"O governo argentino pretende equilibrar um pouco o grande déficit no intercâmbio industrial com o Brasil", diz o jornal, citando os setores estratégicos identificados pela Argentina.
Tensão
O "La Nación" dedica ainda outra matéria sobre a relação entre os dois países.
Em uma nota intitulada "O Brasil estende a mão", o jornal comenta a tensão criada pelo Brasil por conta da postura adotada nas negociações da Rodada Doha.
Na edição de segunda-feira, o jornal já havia destacado que os países do Mercosul perceberam como "traição" o apoio brasileiro à proposta de liberalização comercial apresentada pelo diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy.
Em uma nota publicada na edição desta terça-feira, o diário afirma que o Brasil "estendeu a mão" para Argentina e estaria disposto a renunciar parte da porcentagem da cláusula de flexibilização que corresponde ao Mercosul para beneficiar a Argentina.
"Fiel à sua promessa de 'fazer esforços para ajudar a Argentina', o chanceler Celso Amorim estaria analisando uma fórmula que permita aos argentinos a proteger um número maior de setores industriais", afirma o "La Nación".
Leia mais
- Rodada Doha "ainda está por um fio", diz Celso Amorim
- OMC diz que negociações sobre Doha estão em momento "muito tenso"
- Doha: Disputa entre emergentes "não afeta Brasil no longo prazo"
- Negociações de Doha entram na etapa final e tensão aumenta na OMC
- Acordo menos ambicioso é melhor que nenhum acordo sobre Doha, diz ministro
- França busca apoio entre membros da UE contra proposta da OMC
Livraria da Folha
- Conheça a história do Brasil e da Argentina, da herança colonial à ditadura e democratização
- Obras da série "Folha Explica" discutem política e eleições
- Livro ensina como se preparar para obter sucesso em negociações
- MBA compacto mostra como importar e exportar de forma segura
Especial

