BBC Brasil
30/07/2008 - 05h18

Karadzic é extraditado para ser julgado em Haia

da BBC Brasil

O ex-líder sérvio da Bósnia Radovan Karadzic chegou na manhã desta quarta-feira ao centro de detenção do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda.

Karadzic foi extraditado nas primeiras horas do dia da capital sérvia, Belgrado, onde estava preso há nove dias após passar mais de uma década foragido.

Reuters
Montagem mostra foto recente do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic e imagem dele em 1995; ele foi preso na Sérvia
Montagem mostra foto recente do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic (à esq.) e imagem dele em 1995; ele foi preso na Sérvia

O ex-líder sérvio deverá responder a 11 acusações, entre elas as de genocídio e crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito na Bósnia (1992 a 1995), ocorrido após a desintegração da Iugoslávia.

De acordo com os procedimentos legais, Karadzic será informado sobre seus direitos e deveres e será examinado por um médico.

Ele deve comparecer a uma audiência no tribunal nos próximos dias, em que um juiz detalhará as acusações que pesam contra ele.

A partir de então, o réu terá até 30 dias para apresentar sua defesa.

Defesa

A extradição de Karadzic foi decidida na terça-feira depois que a Justiça afirmou não ter recebido a apelação feita pelo advogado do ex-líder sérvio na sexta-feira.

O recurso teria sido entregue cinco minutos antes do fim do prazo e enviado pelo correio. Mas até a noite da terça-feira a carta não havia chegado ao tribunal sérvio.

Segundo o correspondente da BBC em Haia, Dominic Hughes, há dúvidas sobre se a apelação chegou a ser enviada.

Ainda para o correspondente, uma vez em Haia, Karadzic deve usar os mesmos recursos de defesa aplicados pelo ex-líder sérvio e seu mentor Slobodan Milosevic, quando esteve preso no mesmo tribunal.

Gás lacrimogêneo

O ex-líder sérvio foi indiciado no Tribunal de Haia em julho de 1995, acusado de autorizar a morte de civis durante o cerco de Sarajevo, que durou 43 meses.

Quatro meses depois, foi indiciado por genocídio pela morte de cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos, depois que as forças de seu comandante militar Ratko Mladic tomaram Srebrenica.

A transferência de Karadzic para Haia foi realizada poucas horas depois de uma manifestação em Belgrado contra a sua prisão, que acabou em violência.

Mais de 40 pessoas ficaram feridas em choques entre manifestantes favoráveis ao ex-líder sérvio da Bósnia e a polícia nas ruas da capital sérvia, Belgrado.

A polícia usou balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar pequenos grupos.

Uma testemunha, Henry Langston, disse à BBC que os manifestantes, a maioria jovens, atacaram os policiais com barras de metal, cestos de lixo e objetos que pegaram nas ruas. Cerca de cem pessoas tentaram romper um cordão de segurança da polícia.

O ato público reuniu cerca de 15 mil pessoas. Os choques ocorreram nos discursos finais da concentração organizada pelo Partido Radical, que é nacionalista.

 

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