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28/05/2005 - 13h24

Lula ouve de brasileiros queixas sobre vida no Japão

ADRIANA STOCK
da BBC Brasil, em Nagóia

Imigrantes brasileiros aproveitaram a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à cidade de Nagóia para apresentar suas queixas.

Este sábado foi o último dia do presidente no Japão. De Nagóia, ele partiu para Brasília, onde deve chegar no domingo de manhã.

O presidente foi visitar o consulado do Brasil na cidade, onde algumas pessoas o esperavam segurando duas faixas. Uma lhe dava as boas-vindas, e a outra dizia "os trabalhadores brasileiros de Hamamatsu são explorados".

Francisco Freitas, de 45 anos, estava lá para reclamar das "mazelas" que existem no Japão em relação aos imigrantes brasileiros.

"Trabalho na Suzuki. O conceito do Japão em relação à mão-de-obra do estrangeiro é deplorável. Eles vêem você apenas como uma solução para a mão de obra mesmo e não importa se você tem inteligência. Você aqui vai pegar peso e fica com doenças profissionais como tendinite", disse o operário, que afirmou, no entanto, que não precisa fazer horas extras.

Assistência médica

Moacir Araujo Gonçalves, um ex-cabo militar de 31 anos, sofreu um acidente de moto e, de muletas, abordou o presidente para reclamar da assistência médica no Japão. Ele disse que queria que um outro médico o tratasse.

"Lula, estou com oito pinos na perna, e eu te servi desde os meus 15 anos de idade. Estou com 25 centímetros de ferro na perna e não estou sendo tratado como trabalhador no Japão."

Lula brincou: "Mas você tem uma metalúrgica na perna!". O rapaz, emocionado, o abraçou e disse que era militante do PT.

A cidade de Nagóia tem a maior concentração de brasileiros no país. São 34 mil dos 285 mil que vivem no Japão. A maioria é atraída pelos empregos oferecidos nas indústrias automotiva e de eletrônicos.

Os brasileiros que vivem no Japão são os que mais enviam dinheiro para o Brasil. Eles são responsáveis por US$ 3 bilhões dos US$ 5 bilhões totais de remessas anuais.

Educação

No consulado brasileiro, o presidente se encontrou com diretores de escolas brasileiras no Japão, que reivindicaram maior assistência por parte do seu governo, em especial, bolsas de estudo.

Muitos filhos de imigrantes brasileiros chegam ao Japão e acabam não estudando porque não falam japonês ou porque se sentem discriminados ante as grandes diferenças culturais.

Existem 63 escolas brasileiras no Japão, das quais 36 têm o aval do Ministério da Educação do Brasil.

Atualmente, existem cerca de 40 mil brasileiros em idade escolar vivendo no Japão --8 mil estudam em escolas brasileiras, 15 mil estão registradas em escolas japonesas, e 17 mil estão fora da escola. Em alguns casos, os pais não conseguem bancar o estudo dos seus filhos já que todos os colégios são particulares e caros.

Segundo um diplomata brasileiro, há um problema crescente de deliqüência entre esses jovens que ficam sem nenhuma ocupação.

Tumulto

Após a visita ao consulado, o presidente Lula, acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia e de sua comitiva, visitou uma feira de empresas brasileiras em Nagóia.

Ele conferiu alguns dos 90 estandes do evento e assistiu a apresentações de grupos de música sertaneja e de baião, além de capoeira --todos com integrantes de origem japonesa.

Centenas de pessoas armadas com câmeras fotográficas se reuniram para ver o presidente. Quando ele subiu ao palco para fazer o discurso de agradecimento, o público começou a gritar o seu nome.

Outros gritaram o nome do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que estava presente no evento e, ao ouvir o público, virou-se para trás e deu um grande sorriso.

O presidente Lula garantiu à platéia que, durante seu encontro com as
autoridades japonesas, ele pediu que os imigrantes brasileiros recebam o
mesmo tratatamento dado aos imigrantes japoneses no Brasil. Ele disse ainda que recebeu a lista de demandas dos imigrantes brasileiros e que vai encaminhá-la para os ministros responsáveis de cada área quando chegar em Brasília.

O presidente destacou, contudo, que "isso demanda um processo político", isto é, a solução deve vir no médio ou longo prazo.

A saída do evento foi conturbada, com muitas pessoas querendo tirar fotos e conversar com o presidente. Na rua, centenas de crianças de escolas brasileiras lhe esperavam.

Houve um grande empurra-empurra, mas Damaris Rodrigues, de 9 anos, conseguiu furar o cordão de seguranças e pulou no colo do presidente Lula, que a abraçou. A menina começou a chorar e disse "fiquei emocionada de ver o presidente".

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