BBC Brasil
08/08/2008 - 11h36

Petróleo pode passar de US$ 200 em 5 anos, diz relatório

da BBC Brasil

Uma grave crise no fornecimento de petróleo está cada vez mais próxima e o preço do barril poderá passar dos US$ 200, segundo um relatório do instituto de estudos políticos britânico Chatham House.

Segundo o relatório, um "esmagamento da oferta" deverá afetar o mercado mundial já nos próximos cinco a dez anos, pois, apesar de ainda existir muito petróleo a ser explorado, governos e companhias não estão investindo o suficiente para garantir a produção.

De acordo com o autor do relatório, o professor emérito da Universidade de Dundee na Grã-Bretanha, Paul Stevens, somente uma redução da demanda poderá evitar a crise.

"Na verdade, a única possibilidade de evitar este esmagamento parece ser uma redução no consumo causado por uma grande recessão. E mesmo assim, poderá ser apenas um adiamento do problema", afirmou o pesquisador.

Investimentos

No relatório, Stevens afirma que os investimentos em novos suprimentos de petróleo são inadequados, pois as companhias petroleiras preferem entregar os lucros para os acionistas ao invés de reinvestir em prospecção.

Além disso, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) não consegue expandir sua capacidade de produção desde 2005.

O professor afirmou no relatório que a "retomada do nacionalismo em relação aos recursos" significa que os governos estão "privando' as companhias petroleiras nacionais da capacidade de investir, ao excluir as empresas internacionais dos planos de desenvolvimento da capacidade produtora.

"A previsão é polêmica (...) e, mesmo levando em conta algum aumento na capacidade nos próximos anos, um estrangulamento da oferta deve ocorrer por volta do ano de 2013", acrescentou.

Para Stevens, isto deve "ser traduzido rapidamente em um aumento do preço (do petróleo), ainda que exista uma dúvida sobre como os estoques estratégicos serão usados para moderar esta situação."

Anos 70

Stevens vê semelhanças do período atual com a crise do petróleo nos anos 70. Nas duas ocasiões percebe-se uma visão generalizada de que os preços do produto vão aumentar ainda mais.

Além do ressurgimento do "nacionalismo de recursos", nos dois períodos os aumentos de preços foram desencadeados por causas parecidas, com o fornecimento e a procura tendo um papel importante.

Mas, para Stevens, existem várias diferenças entre os dois períodos, principalmente na natureza do fornecimento e demanda do petróleo nos anos 70 e no presente.

E, no presente, as preocupações com o meio ambiente são importantes para definir as políticas energéticas, o que não ocorria nos anos 70.

"Medidas extremas"

Paul Stevens conclui que apenas "medidas extremas podem resultar em uma resposta mais rápida" para aumentar os estoques e reduzir os preços do petróleo --medidas que podem ser "politicamente impopulares".

O relatório sugere também, como medidas de longo prazo, o oferecimento de apoio para ajudar exportadores de petróleo a gerenciarem a "maldição do recurso" --na qual a abundância de recursos naturais pode prejudicar a economia de um país.

O relatório foi divulgado dias depois dos preços do petróleo caírem para menos de seu preço mais alto, de US$ 150 o barril.

Comentários dos leitores
Luís da Velosa (1417) 25/11/2009 16h33
Luís da Velosa (1417) 25/11/2009 16h33
O que me intriga nessa história toda de energia limpa, não é outra coisa senão algumas nações teimarem em "queimar" combustíveis fósseis, possibilitando o crescente acúmulo de CO2 na atmosfera, elevando o alargamento, provocando o efeito estufa, da camada de ozônio, etc., etc. Se querem "limpar" o mundo, que pesquisem e utilizem, urgentemente, os biocombustíveis, a energia solar e a eólica. É um verdadeiro paradoxo. sem opinião
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O Pacificador (194) 20/11/2009 13h32
O Pacificador (194) 20/11/2009 13h32
Preço do petróleo tem forte recuo com alta do dólar...
Agora sim que a Venezuela, do Chávez doidão, vai para o buraco de uma vez.
Eles ao contrário do resto mundo estão entrando em profunda recessão, só agora.
Haviam conseguido se segurar pelas tabelas, graças ao petróleo.
Com a queda no valor do principal e único produto gerador de divisas de lá, e com apagões constantes e falta crônica de produtos de primeira necessidade acontecendo, a Venezuela pode estar entrando em franca bancarrota.
Seria o fim dos bolivarianos...
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Cassio Tavares (649) 17/11/2009 17h45
Cassio Tavares (649) 17/11/2009 17h45
Essa declaração do Aécio só vem confirmar a grande admiiração que tem pelo Presidente Lula. Ele que já havia dito assim ;
EU QUERO SER O CANDIDATO PÓS-LULA E NÃO O ANTI-LULA. E mais uma declaração assim : O PRESIDENTE LULA SERÁ LEMBRADO PELO POVO BRASILEIRO DURANTE 100 ANOS. E já repetiu várias vezes ( quase todos os dais ) que não aceita ser candidato a vice numa chapa com o Governador José Serra. Ou seja, besta ele não é. Iria correr um risco enorme de ficar sem nada e portanto segundo ele, ou será candidato do partido a presidente ou será candidato ao senado. Está novo e tem muito tempo para se candidatar em 2.014 ou em 2.018.
E o governador José Serra ? Ah, esse aí vai empurrando com a barriga a sua decisão sobre o caminho a tomar. Ele está numa tremenda saia justa porque não sabe como dizer ao partido que não será candidato a presidente da república, mas que irá tentar a reeleição ao governo de São Paulo. Outro que não é nada besta. E assim vai seguindo um partido sem discurso, sem rumo, sem projetos e também sem candidatos para as eleições de 2.010. Eta desgraceira. O mais curioso é que, não só o Gov. Aécio Neves em entrevista ao João Dória Jr. como também outros politicos do partido dizerem que não podem deixar de jeito nenhum que, na campanha de 2.010, os governistas façam as comparações entre o atual governo e o do Sr. Fernando Henrique. Mas isso já está decidido e não existe lei no Brasil que proiba essa campanha. E a coisa vai ficando cada vez mais preta.
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