BBC Brasil
26/08/2008 - 13h07

Análise: Quem é mesmo este cara?

LUCAS MENDES
da BBC, em Nova York

Quem está lendo esta coluna sabe que Barack Obama é um senador liberal, democrata, candidato à Presidência dos Estados Unidos, um negro filho de mãe branca americana e pai africano.

Estudou na melhor universidade americana, é advogado, um orador extraordinário... e pouco mais. Será que é um líder?

Esta campanha presidencial americana começou nos bastidores há quase três anos, entrou nas primeiras páginas há 19 meses, esquentou com as eleições primárias em janeiro e vai ferver a partir destas convenções.

Depois de tanto tempo, a maioria dos americanos não sabe quem é o candidato democrata.
Obama tem 69 dias para se definir e ser definido, e estes quatro dias da convenção são decisivos, porque 50 milhões de americanos vão ver a família democrata em ação. Na fase das primárias eram raras audiências de 10 milhões.

Os democratas desperdiçaram as primeiras três horas da convenção. Das 6h às 9h, horário nobre, nenhuma mensagem sobre a plataforma do partido.

Foi a entrada do senador Ted Kennedy, com voz forte e postura firme, que acordou a convenção.

Com um câncer incurável no cérebro, ninguém sabia se iria comparecer, menos ainda se teria condições de falar ou ficar em pé. Se apresentou por inteiro e garantiu que estará no Senado em janeiro de 2009 para apoiar as mudanças do presidente Obama.

A energia kennediana raramente falha. Joe, o irmão mais velho, morreu lutando na Segunda Guerra (1939-1945). John, presidente, morreu assassinado. Bob, senador e candidato à Presidência, partiu da mesma forma, mas o senador nunca se apega a esta íntima e épica tragédia americana. À beira da morte, aposta no futuro e promete dias melhores.

O entusiasmo de Ted Kennedy é contagiante, mas o veterano senador não explica como Obama planeja tirar os americanos da fossa republicana nem nos revela nada de novo ou firme sobre o candidato do partido além da promessa de mudanças.

A definição da noite ficou por conta de Michelle Obama. Coube a ela detalhar o caráter do marido, o dia-a-dia da família, os valores assimilados dos pais e transferidos aos filhos.

Michelle é uma mulher marcada pelos conservadores, que deram a ela o apelido de "Primeira Dama do Ressentimento" porque disse num discurso em Wisconsin que "pela primeira vez na vida adulta tinha orgulho dos Estados Unidos".

Noutro discurso, disse que os americanos eram "malvados" e vacilou na resposta quando perguntaram se apoiaria Hillary se ela fosse a candidata do partido.

Michelle não tem a eloqüência do marido, mas quem passou por duas das melhores universidades do país tem educação de sobra para falar em qualquer convenção.

No discurso mais importante que ela já fez na vida, Michelle não decepcionou, não mostrou ressentimento, rancor nem elitismo. Cumpriu a missão dela.

Os Obamas são sentimentais, mas disciplinados, foram educados para lutar pelo que buscam e respeitar os princípios americanos sem distinção de cor ou classe.

Nem pelo conteúdo nem pelo sotaque era possível distinguir a raça de Michelle.

Hillary Clinton mereceu espaço de destaque no discurso, mas nenhum orador da noite entrou em detalhes sobre metas e as diferenças dos partidos, nem atacou o presidente Bush e os republicanos.

Apesar dos sucessos de Ted Kennedy e Michelle Obama, vários analistas viram oportunidades perdidas na primeira noite da convenção.

Esta segunda noite vai ser dominada por Hillary Clinton. O apoio dela é essencial, mas 21% dos seus eleitores não querem votar em Obama.

Os democratas têm mais três dias para definir Obama e unir o partido.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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