Análise: O sonho americano de Barack Obama
LUCAS MENDES
da BBC, em Nova York
Final olímpico. Não faltaram nem colunas gregas no palco que os republicanos, num raro momento de bom humor, apelidaram de Barackópolis e Templo de Obama.
Maldade boa de gente sem memória. O discurso de George W. Bush na última convenção também tinha colunas gregas mas não foram apelidadas de Bushópolis. Esta afeição pelo greco-romano dos americanos vem dos pais da pátria. Washington deve ter mais colunas do que Atenas. Por que não quatro em Denver?
Os cenógrafos explicaram que não foram inspiradas no cenário do famoso discurso sobre direitos civis da história --I have a Dream, de Martin Luther King-- diante das colunas do Memorial de Lincoln. Apenas uma questão estética, disseram. No mesmo dia, 28 de julho. Uma incrível e fortuita coincidência.
Será que Luther King imaginava que 45 anos depois do seu discurso um negro seria candidato à Presidência? A maioria dos líderes negros diz que não. As expectativas se limitavam a direitos de votar, empregos públicos, posições menores em governos municipais.
Mais de 85 mil democratas encheram o estádio de Denver e outros milhares estavam diante de telões públicos em várias cidades dos Estados Unidos. Desde o discurso de John F. Kennedy, no estádio Coliseu de Los Angeles em 1960, um candidato não gerava este tipo de entusiasmo.
Stevie Wonder e outros músicos talvez enchessem o estádio mas eles não eram as atrações principais. Os shows foram curtos, de uma ou duas músicas. A música do dia era política e o discurso de Al Gore tinha a densidade, o ritmo e tempo certos.
Susan Eisenhower, neta do presidente republicano que comandou as tropas aliadas na Segunda Guerra e alertou sobre os perigos do complexo militar industrial, alertou sobre os perigos de mais quatro anos de irresponsabilidade republicana.
Entre discursos e shows, quem acompanhava pela televisão, viu a surpresa de um comercial do senador McCain parabenizando Barack Obama pelo sucesso da convenção, mas avisando que no dia seguinte a luta recomeçaria. Ponto para McCain.
Se Barack Obama viu o comercial, não ficou comovido nem teve pena do republicano. Está pronto para começar a debater quem tem as qualidades de comandante-em-chefe.
Satisfez os que queriam ataques e não usou argumentos vaporizados. Muitas promessas vieram com números: redução de impostos para 95% da classe média, fim de mamatas para corporações, educação e assistência médica para pobres, fim da dependência do petróleo árabe e milhões de novos empregos com nova política do meio ambiente. Segurança nacional, problemas sociais, religião, família e questões morais foram abordadas evitando a perspectiva liberal. Não prometeu nada de graça, mas faltou um apelo ao sacrifício.
Um discurso intimidante para corporações, ironicamente feito num estádio com o nome de uma gigante --Invesco--, depois de três dias num centro de convenções chamado Pepsi. Barack Obama ainda recebe contribuições e tem conexões com grandes corporações.
A carreira deste senador é espetacular. Na história americana só dois políticos antes de Obama saíram do Senado para a Casa Branca. As pesquisas antes do discurso já davam a ele uma vantagem de seis pontos, e devem subir para dez, talvez um pouco mais. Não são números confiáveis e vão cair depois da convenção republicana da próxima semana, mas o sonho de Obama e dos democratas cresceu em Denver.
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Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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