BBC Brasil
29/08/2008 - 08h00

Análise: O sonho americano de Barack Obama

LUCAS MENDES
da BBC, em Nova York

Final olímpico. Não faltaram nem colunas gregas no palco que os republicanos, num raro momento de bom humor, apelidaram de Barackópolis e Templo de Obama.

Maldade boa de gente sem memória. O discurso de George W. Bush na última convenção também tinha colunas gregas mas não foram apelidadas de Bushópolis. Esta afeição pelo greco-romano dos americanos vem dos pais da pátria. Washington deve ter mais colunas do que Atenas. Por que não quatro em Denver?

Os cenógrafos explicaram que não foram inspiradas no cenário do famoso discurso sobre direitos civis da história --I have a Dream, de Martin Luther King-- diante das colunas do Memorial de Lincoln. Apenas uma questão estética, disseram. No mesmo dia, 28 de julho. Uma incrível e fortuita coincidência.

Será que Luther King imaginava que 45 anos depois do seu discurso um negro seria candidato à Presidência? A maioria dos líderes negros diz que não. As expectativas se limitavam a direitos de votar, empregos públicos, posições menores em governos municipais.

Mais de 85 mil democratas encheram o estádio de Denver e outros milhares estavam diante de telões públicos em várias cidades dos Estados Unidos. Desde o discurso de John F. Kennedy, no estádio Coliseu de Los Angeles em 1960, um candidato não gerava este tipo de entusiasmo.

Stevie Wonder e outros músicos talvez enchessem o estádio mas eles não eram as atrações principais. Os shows foram curtos, de uma ou duas músicas. A música do dia era política e o discurso de Al Gore tinha a densidade, o ritmo e tempo certos.

Susan Eisenhower, neta do presidente republicano que comandou as tropas aliadas na Segunda Guerra e alertou sobre os perigos do complexo militar industrial, alertou sobre os perigos de mais quatro anos de irresponsabilidade republicana.

Entre discursos e shows, quem acompanhava pela televisão, viu a surpresa de um comercial do senador McCain parabenizando Barack Obama pelo sucesso da convenção, mas avisando que no dia seguinte a luta recomeçaria. Ponto para McCain.

Se Barack Obama viu o comercial, não ficou comovido nem teve pena do republicano. Está pronto para começar a debater quem tem as qualidades de comandante-em-chefe.

Satisfez os que queriam ataques e não usou argumentos vaporizados. Muitas promessas vieram com números: redução de impostos para 95% da classe média, fim de mamatas para corporações, educação e assistência médica para pobres, fim da dependência do petróleo árabe e milhões de novos empregos com nova política do meio ambiente. Segurança nacional, problemas sociais, religião, família e questões morais foram abordadas evitando a perspectiva liberal. Não prometeu nada de graça, mas faltou um apelo ao sacrifício.

Um discurso intimidante para corporações, ironicamente feito num estádio com o nome de uma gigante --Invesco--, depois de três dias num centro de convenções chamado Pepsi. Barack Obama ainda recebe contribuições e tem conexões com grandes corporações.

A carreira deste senador é espetacular. Na história americana só dois políticos antes de Obama saíram do Senado para a Casa Branca. As pesquisas antes do discurso já davam a ele uma vantagem de seis pontos, e devem subir para dez, talvez um pouco mais. Não são números confiáveis e vão cair depois da convenção republicana da próxima semana, mas o sonho de Obama e dos democratas cresceu em Denver.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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